Banco Mundial destaca apoio da China a melhorias na produção de energia eléctrica em Angola

1 July 2019

A capacidade de produção de energia eléctrica em Angola, um dos factores críticos para o desenvolvimento do país, tem vindo a registar um aumento devido ao apoio prestado pela China, segundo o Banco Mundial.

A avaliação do Banco Mundial é feita num recente diagnóstico ao sector privado angolano, com o título “Criação de mercados em Angola – Oportunidades de desenvolvimento do sector privado”, em que são identificados como áreas de intervenção prioritárias a agro-indústria, os transportes, as tecnologias de informação e comunicação, a saúde, a educação e os serviços financeiros, além da energia eléctrica.

“Com apoio financeiro da China, Angola efectuou melhorias notáveis na capacidade de produção, apesar do acesso à energia eléctrica continuar limitado”, refere o relatório.

O Banco Mundial informou igualmente que a capacidade de produção de energia eléctrica mais do que duplicou desde o final da guerra civil (2002), atingindo em 2017 cerca de 3,3 gigawatts, dos quais 59,5% a partir de fontes hídricas e o restante de combustíveis fósseis.

Isto, depois do projecto hidroeléctrico Cambambe II (700 megawatts) ter entrado em operação em meados de 2017.

O diagnóstico do Banco Mundial adianta que a transmissão e distribuição continuam a ser “desafios fundamentais para o sector”, sendo que apenas 30% da população tem actualmente acesso a energia eléctrica (43,0% nas cidades e apenas 8,0% nas zonas rurais).

“O acesso à energia eléctrica é um problema para muitas empresas, incluindo em Luanda e nas zonas industriais (como Viana, zona suburbana de Luanda), o que força as empresas a depender de geradores de energia caros. Os geradores também são necessários como reserva devido à pouca fiabilidade do fornecimento de energia. O consumo de energia eléctrica por parte do sector industrial é baixo, correspondendo a apenas 8,0% da produção total”, refere o relatório.

O Banco Mundial recorda que Angola está a “recuperar lentamente” de uma crise macro-económica “severa” causada pela queda “acentuada e prolongada” dos preços de petróleo desde meados de 2014, depois de ter vivido anos de expansão económica devido ao aumento dos preços desta matéria-prima nos mercados internacionais.

Em termos de comércio externo, adianta, Angola é hoje uma das economias menos diversificadas do mundo, com 96,5% de exportações em 2016 constituídas por petróleo e diamantes.

Entre os sectores da economia não-petrolífera que melhor desempenho têm estado a registar encontram-se os serviços, nomeadamente financeiros, consumo (imobiliário, comércio a retalho e telecomunicações, entre outros) e ainda a construção, cujo peso passou de 5,0% do PIB em 2004 para uma estimativa de 13,7% em 2017.

A agricultura cresceu de forma mais modesta, atingindo 10% do Produto Interno Bruto, enquanto a indústria transformadora estagnou a um nível baixo, de 5,0% do PIB. (Macauhub)

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