Banco Nacional Ultramarino bem preparado para apoiar empresas dos países de língua portuguesa

15 July 2019

O Banco Nacional Ultramarino (BNU) está bem preparado para participar no projecto da Área da Grande Baía como parceiro de negócios das empresas dos países de língua portuguesa e da China, disse o administrador executivo da primeira instituição bancária a surgir em Macau.

Carlos Cid Álvares, em entrevista ao boletim do Fórum de Macau, disse ainda que o banco que dirige presentemente “é uma instituição financeira sólida, estável e com elevado capital de experiência e conhecimento nos mercados chinês e dos países de língua portuguesa”, tendo recordado, por exemplo, a abertura de uma agência em Hengqin, em 2017, “para estar mais próximo dos seus clientes.”

O administrador executivo do BNU salientou que o projecto da Área da Grande Baía apresenta oportunidades evidentes para Portugal e restantes países de língua portuguesa, dado ser uma região com um enorme dinamismo, além de uma das mais ricas da China e com uma tradição secular de abertura ao exterior.

“É importante referir que três das primeiras zonas económicas especiais da China foram estabelecidas na província de Guangdong (Shenzhen, Zhuhai e Shantou), na década de 80 do Século XX, o que contribuiu para o desenvolvimento económico da região, onde se instalaram inúmeras empresas estrangeiras”, recordou.

Shenzhen é hoje em dia um centro de desenvolvimento e inovação tecnológica dos mais avançados do mundo, onde estão instalados os grandes grupos chineses do sector, casos da Huawei, Tencent, ZTE, Lenovo, Dajiang, Gree, entre outros, já obteve mais patentes internacionais do que a França e o Reino Unido, “sendo expectável que esse desenvolvimento se aprofunde, à medida que aumenta o relacionamento entre as diferentes cidades da Área da Grande Baía.”

O Delta do Rio das Pérolas, cuja área coincide “grosso modo” com a da Grande Baía, contém apenas 5,0% da população da China, com cerca de 70 milhões de pessoas, “mas produz 11,0% da riqueza total do país e garante um terço das exportações totais.”

A execução do plano desenhado pelo governo central da China, que define Macau como uma das cidades-chave, ao lado de Cantão, Hong Kong e Shenzhen, irá fomentar ainda mais o desenvolvimento da Grande Baía, através da especialização das características de cada uma delas.

Macau deverá ser um Centro Mundial de Turismo e Lazer e uma da Plataforma de Cooperação Comercial e de Serviços entre a China e os Países de Língua Portuguesa, promovendo uma maior diversificação da economia, sendo que o BNU tem um papel a desempenhar, atendendo tanto ao conhecimento da realidade local como ao facto de o grupo estatal português Caixa Geral de Depósitos estar presente nos países de língua portuguesa, numa situação de líder do mercado em alguns deles.

“É precisamente desta forma que Portugal e os outros países de língua portuguesa podem beneficiar desta integração, ao terem acesso facilitado através de Macau a um espaço económico mais vasto e diversificado, com políticas preferenciais que visam incentivar o investimento.

Carlos Cid Álvares salientou que essas empresas terão um mundo de oportunidades em diversos domínios que são considerados prioritários na Área da Grande Baía, nomeadamente infra-estruturas (transportes, energia, telecomunicações, gestão urbana de resíduos), investigação cientifica e inovação, economia marítima, protecção ambiental e ecologia, biotecnologia e nos serviços profissionais em geral – financeiros e jurídicos, arquitectura, engenharia, logística, educação, recursos humanos, turismo, saúde,  indústrias culturais e criativas, entre muitas outras.

Salientando que as empresas dos países de língua portuguesa podem, se o entenderem, posicionar-se como parceiras das empresas chinesas, no sentido de colaborarem em determinados nichos de mercado em que detém vantagens competitivas.

“Essas empresas terão, certamente, um leque maior de oportunidades na Área da Grande Baía, porventura com parceiros chineses locais que apoiem a sua entrada no mercado, bem como numa lógica de triangulação de investimentos – Macau/China/Países de língua portuguesa”, disse a concluir.  (Macauhub)

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