BNU de Macau quer estreitar relações com pequenas e médias empresas locais

O Banco Nacional Ultramarino (BNU) de Macau está a estudar o aumento dos apoios às mais de 40 mil pequenas e médias empresas (PME) do território, disse o presidente da Comissão Executiva (CE) do banco, Carlos Cid Álvares, em entrevista ao jornal Tribuna de Macau.

“O banco tem de estar mais próximo das pequenas e médias empresas embora seja difícil concretizar isso de imediato” disse Carlos Álvares, que justificou a afirmação com a necessidade de superar algumas dificuldades, nomeadamente internas, com a contratação de pessoal que trabalhe nesse sector e externa devido à não existência de uma central de risco que permita informar os bancos sobre os clientes.

Nesse sentido o BNU está-se a dotar de pessoal especializado nesse sector para dar uma resposta mais eficaz quando os pequenos e médios empresários recorrem ao banco para a obtenção de apoios financeiros.

Carlos Álvares, na entrevista ao jornal, defendeu que o BNU tem também como objectivo tornar-se cada mais atractivo para os jovens de Macau e revelou que vai ser aberta ainda este mês uma agência do banco na Universidade de Macau, a vigésima primeira, que é frequentada por 15 mil alunos exactamente na faixa etária onde o banco quer actuar.

O presidente da CE do BNU revelou ainda que precisamente para atingir a camada mais jovem de Macau foi lançada uma nova aplicação para telemóveis.

“Através do telefone os clientes têm acesso ao banco e podem fazer variadas transacções numa aplicação muito simples e moderna, o que para a juventude é muito bom. Já temos a funcionar o código QR junto dos nossos comerciantes e espero no curto prazo ter também para toda a nossa base de clientes”, disse.

Carlos Álvares disse igualmente que a actividade do banco irá orientar-se também para os clientes de “private banking” que, tendo em conta o crescimento da economia, têm mais capacidade para determinados investimentos – não apenas em depósitos a prazo – mas também em fundos, bolsa e seguros.

“Há um pilar que tem a ver com uma componente importantíssima da economia da região, os casinos. O BNU foi uma das entidades que forneceu as garantias bancárias que permitiram que esses negócios pudessem vir a nascer e a crescer no princípio da instalação dos casinos. Há uma relação forte com as seis concessionárias e sub-concessionárias a nível empresarial mas também ao nível de todos os seus colaboradores”, o que hoje é fundamental para o banco, disse o mesmo responsável.

O papel do BNU de Macau face à posição estratégica do território como ponte entre a China e os países de língua portuguesa foi igualmente referido por Carlos Álvares na entrevista ao jornal Tribuna de Macau, ao considerar que o banco poder ser uma plataforma de trabalho com os países de língua portuguesa dando assim resposta às orientações do governo central da China e de Macau.

Carlos Álvares assegurou ainda que existe um grande espaço de crescimento no papel que tanto a Caixa Geral de Depósitos (CGD) como o BNU de Macau podem ter face à posição estratégica de Macau enquanto plataforma.

“Há uma ligação fortíssima através da nossa casa-mãe. Celebrámos um protocolo com a CGD para dinamizar todo esse negócio que resulta bastante da agilização na abertura de contas, agilização no fluxo de fundos entre os diferentes países – Macau ou no continente chinês – e a referenciação de clientes. Este negócio está a crescer a dois dígitos, o que é bastante interessante, mas há sempre hipótese de fazer mais e melhor”, disse.

O presidente da CE do BNU disse igualmente que o banco “tem vindo a fazer operações com Moçambique e São Tomé e Príncipe mas acredito ser possível fazer também mais operações via Brasil e Angola.”

O Banco Nacional Ultramarino de Macau é, com o Banco da China, um dos bancos emissores da Região Administrativa Especial de Macau, tem uma base de 240 mil clientes numa população de 600 mil pessoas e em 2017 teve lucros de 705,69 milhões de patacas (88,2 milhões de dólares) no ano de 2017, valor que representa um aumento de 25,9%.

O Banco Nacional Ultramarino abriu em Macau há 117 anos. (Macauhub)

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