Brasil com “porta aberta” para a iniciativa chinesa “Uma Faixa, Uma Rota”

26 February 2018

A China anunciou a intenção de alargar ao Brasil e restantes países sul-americanos a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, num movimento interpretado por analistas como de aproveitamento do recuo dos Estados Unidos no seu relacionamento com a região.

Durante o mais recente encontro da China com a Comunidade de Estados Latino-Americanos e das Caraíbas (CELAC), a 22 de Janeiro, o ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, convidou formalmente os países da região a integrar a iniciativa chinesa, conforme indicações antecipadamente dadas pelo presidente Xi Jinping.

O economista Otaviano Canuto, director executivo do Banco Mundial, sublinhou em artigo recente artigo que a abordagem chinesa surge num momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu país se retiraria da Parceria Trans-pacífica (TPP) lançada pelo seu antecessor.

Canuto escreveu que a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” “pode constituir uma nova fase de crescimento das exportações e dos investimentos chineses, dando uma nova vida ao padrão anterior de integração comercial através da construção de infra-estruturas em muitos países, a maioria deles em mercados emergentes.”

O valor dos investimentos já efectuados pela China na América do Sul ascende a 207 mil milhões de dólares, 50 mil milhões dos quais no Brasil, e as transacções comerciais chinesas com os países da região já ultrapassam 200 mil milhões de dólares, de acordo com dados divulgados pela Embaixada da China no Brasil.

Yang Song, encarregado de negócios da embaixada chinesa no Brasil, afirmou ao jornal Folha de São Paulo, numa referência à postura mais retraída dos Estados Unidos, que “enquanto há alguém (nos EUA) a fechar a porta neste momento, nós (China) estamos a abri-la.”

Infra-estruturas, telecomunicações, tecnologia, energia e alimentos são as áreas consideradas prioritárias pela China na região, de acordo com o mesmo responsável.

O representante brasileiro na reunião entre a CELAC e a China, Marcos Galvão, secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, afirmou que a participação dos países sul-americanos na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” diversifica as oportunidades de estreitamento de relações.

O Presidente da China, Xi Jinping, anunciou uma verba de 540 mil milhões de yuans (78 200 milhões de dólares) para projectos que integrem a iniciativa Novas Rotas da Seda, além de 100 000 milhões de yuan (14 500 milhões de dólares) adicionais para o Fundo da Rota da Seda, criado em 2014 para financiar projectos de infra-estruturas e providenciar ajuda, nos próximos dois anos, no valor de 60 000 milhões de yuan (8700 milhões de dólares) a países em desenvolvimento e a organizações internacionais que participem na iniciativa.

Portugal e Cabo Verde são os países de língua portuguesa que mais interesse demonstraram até agora na iniciativa chinesa, que envolve dois bancos – de Desenvolvimento da China e de Exportações e Importações da China – que vão conceder empréstimos especiais até 380 000 milhões de yuan (55 000 milhões de dólares). (Macauhub)

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