Brasil quer ampliar parceria estratégica com a China

20 May 2019

O governo do Presidente Jair Bolsonaro quer fortalecer e expandir os laços comerciais entre o Brasil e a China, sendo essa a mensagem que o vice-presidente Hamilton Mourão comunicará ao Presidente chinês, Xi Jinping, na reunião marcada para sexta-feira, 24 de Maio, em Pequim.

“A China tem uma importância fundamental para nós, visto que é um motor da economia mundial (…), respondendo por mais de um terço do Produto Interno Bruto mundial”, disse Hamilton Mourão em entrevista concedida à agência Macauhub em Brasília.

O vice-presidente brasileiro recordou que a China é um grande importador de alimentos, sendo o Brasil um grande produtor desses produtos, pelo que temos de um lado a procura e do outro a oferta, o que gera uma parceria estratégica.”

Hamilton Mourão adiantou à Macauhub que, além da questão comercial, o presente governo brasileiro pretende, no ano em que o Brasil e a China completam 45 anos de relações diplomáticas, estabelecer um relacionamento de confiança com os chineses.

Outro tema importante do encontro será a “Nova Rota da Seda”, um projecto global em que o governo chinês prevê investir cerca de um bilião de dólares em projectos de infra-estrutura em diferentes partes do mundo, como Ásia, Europa, Médio Oriente e África.

O posicionamento brasileiro, segundo Mourão, é de expectativa em relação à apresentação de alguma proposta de participação do Brasil nesta iniciativa.

“Temos um interesse crítico”, disse ao explicar que o investimento deverá ser aplicado “naquilo que consideramos importante para nós e não no que seja só importante para eles, tendo de haver um benefício mútuo.”

Hamilton Mourão encontra-se quinta-feira, 23 de Maio, com o seu homólogo, Wang Qishan, para a reunião da V Sessão Plenária da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), mecanismo que é tradicionalmente chefiado pelos vice-presidentes dos dois países e estava paralisado desde 2015.

Em Março, Mourão participou na reunião, em Brasília, que reactivou os trabalhos da comissão, instituída em 2004, sendo o vice-presidente da opinião que é preciso fortalecer essa plataforma de diálogo a fim de alinhar e organizar a carteira de projectos e investimentos entre os dois países, o que envolve interesses de governos estaduais e municipais.

A China tem sido, nos últimos dez anos, o principal parceiro comercial e económico do Brasil, com um montante acumulado de investimentos directos superior a 70 mil milhões de dólares, relativo ao período de 2003 a Março de 2019, segundo dados do Boletim de Investimentos Estrangeiros publicado pelo Ministério da Economia.

A maior parte dos projectos chineses está concentrada no sector de energia e infra-estruturas, sendo essa a área que, segundo Mourão, continua ser o foco de interesse do Brasil para as aplicacões de recursos do parceiro asiático, seja em logística, estradas, caminhos-de-ferro, portos.

Mourão observou que o grande potencial de energias renováveis existente no Brasil, especialmente no segmento de eólica, representa uma oportunidade para o capital chinês.

“Poderíamos ter uma ‘Faixa e Rota verde’, com investimentos maciços em estados da região Nordeste, para captação de energia eólica e fotovoltaica, algo que poderia realmente ajudar aquela região em termos económicos”, comentou.

Entre os projectos de interesse do Brasil estão, lembrou o vice-presidente, o Caminho-de-Ferro Transoceânico, que vai ligar os oceanos Atlântico, no Brasil, e o Pacífico, no Peru, com mais de 4 mil quilómetros de extensão.

Mourão disse que é uma iniciativa que vai ao encontro dos interesses nacionais e beneficiaria a região do Mercosul, tornando-se um grande factor de integração e facilitaria o fluxo de exportação para China, tendo afirmado “vamos negociar este projecto, que acho que é importantíssimo para o Brasil.”

Além de trabalhar para ampliar o comércio com o parceiro asiático, o Brasil quer modificar o perfil dos investimentos, centrado em projectos de maior valor acrescentado e que empregue trabalhadores brasileiros. “Pois exportamos minério de ferro e recebemos aço de volta, pelo que temos de alterar esta realidade.”

O Presidente do Brasil Jair Bolsonaro deverá efectuar uma visita à China em Agosto próximo, no decurso da qual encontrar-se-á com Xi Jinping e três meses depois é a vez do Presidente chinês ir a Brasília para a reunião cimeira dos BRICS, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, prevista para 13 e 14 de Novembro. (Macauhub)

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