Brasil quer utilizar comércio electrónico para exportar alimentos para a China

23 July 2018

A reforma e a abertura da China ao longo das últimas quatro décadas foram “extremamente bem-sucedidas”, disse à agência de notícias Xinhua o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

“O processo iniciado em 1978 foi fundamental para a modernização comercial, económica e industrial da China. Em 40 anos, deu origem a uma economia forte e ao maior parceiro comercial do mundo”, disse Roberto Jaguaribe, também ex-embaixador do Brasil na China.

Jaguaribe elogiou a iniciativa recém-anunciada por Pequim de incentivar os seus parceiros comerciais a exportarem mais para a China, dizendo que a iniciativa é duplamente importante, pois o comércio mundial está a atravessar um período difícil devido ao ressurgimento do protecionismo e à ameaça de uma guerra comercial.

“A tendência proteccionista é mais forte do que há 20 anos. É um problema que requer vigilância. Uma guerra comercial não tem vencedores”, disse.

Em 2009, a China tornou-se o maior parceiro comercial do Brasil e actualmente é um dos principais investidores no Brasil, nomeadamente nos sectores de energia, minerais e alimentos.

“A procura da China por alimentos vai aumentar e o Brasil é o melhor país do mundo para satisfazer essa necessidade”, disse Jaguaribe à agência de notícias Xinhua, antecipando que o as relações comerciais bilaterais têm tendência a aumentar.

A Apex-Brasil prevê enviar uma delegação à primeira Exposição Internacional de Importações da China, que se realiza em Xangai em Novembro, indo aproveitar a sua presença naquela cidade para apresentar novos produtos brasileiros.

“Existem vários produtos industriais e alimentares, incluindo alimentos pouco conhecidos na China, caso de frutos como o açaí e o cupuaçu, que têm forte potencial para penetrar no mercado asiático”, disse Jaguaribe.

O cupuaçu, fruto de uma árvore do Amazonas relacionado com o cacaueiro, a partir do qual se produz o chocolate, é frequentemente chamado de super fruta amazónica, rica em vitamina E.

“Também estamos a montar uma linha de comércio electrónico para produtos de consumo imediato. O Brasil quer fazer parceria com as empresas de comércio electrónico da China”, disse Jaguaribe.

“Já iniciamos uma parceria com o Alibaba e procuramos outras empresas chinesas no mesmo sector”, referiu ainda o presidente da Apex-Brasil.

Para facilitar a entrada das empresas brasileiras no mercado chinês, a Apex-Brasil está a contratar entidades locais para fazerem estudos sobre o mercado consumidor na China.

Dada a “grande solidez” dos laços China-Brasil, Jaguaribe não espera que o resultado das eleições presidenciais do Brasil em Outubro afecte as relações bilaterais.

“Os laços China-Brasil são permanentes. Ambos são grandes países em desenvolvimento com numerosos interesses comuns e recíprocos. Eu vejo uma tendência natural e necessária (em direcção ao crescimento) em todos os aspectos do relacionamento”, disse. (Macauhub)

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