Cabo Verde avança com vistos dourados para investidores

31 July 2017

Um programa de vistos dourados para investidores é uma das medidas que estão a ser preparadas pelo governo de Cabo Verde para atrair investimento estrangeiro ao arquipélago, disse à Revista Macao o primeiro-ministro cabo-verdiano.

Em entrevista à Revista Macao, na Praia, Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva revelou que a proposta concreta para o programa de vistos para investidores será brevemente levada ao parlamento para aprovação.

“É um instrumento destinado a atrair e promover investimento, selectivo para os investidores que asseguram investimentos em Cabo Verde, começando num montante concreto, mas também aberto para aqueles que desejam fazer a sua segunda residência aqui, aproveitando o turismo”, disse o primeiro-ministro cabo-verdiano, na entrevista publicada na mais recente edição da revista.

Reservando para o momento da apresentação da proposta no parlamento a revelação de montantes concretos para atribuição de visto, Ulisses Correia e Silva referiu que, além da entrada no arquipélago, está previsto o “acesso a um conjunto de serviços, para que aqueles que desejam investir sentirem que há um instrumento adicional para fazer um investimento, residir, ter uma segunda casa ou fazer negócios em Cabo Verde.”

Questionado sobre os países prioritários para o seu governo em termos de atração de investimentos, Ulisses Correia e Silva lembrou que a União Europeia é actualmente o principal parceiro económico, e em particular o maior mercado emissor de turistas, mas referiu interesse em expandir relações com os Estados Unidos e com “o mercado asiático, principalmente a China.”

“Não somos favoráveis ​​a países específicos em termos de quem quer investir – temos uma economia aberta, há um campo de jogo uniforme para todos”, a par de “necessidade de diversificar ainda mais os mercados”, afirmou.

Após ter completado o primeiro ano da legislatura de 5 anos, o governo de Ulisses Correia e Silva avança com um conjunto de medidas para estimular a actividade económica e facilitar a actividade empresarial, nomeadamente uma reforma fiscal, que deverá ser aplicada a partir do 3º trimestre de 2017.

“Queremos mudar o quadro que está em vigor há muitos anos, e funcionou bem para nós, mas precisa se tornar mais atractivo”, disse à Revista Macao.

O chefe do governo cabo-verdiano disse que o regime actual para investimentos – isenção de imposto durante o período de lançamento da empresa, passando de 0% (taxa de imposto) para 5% e 25% – deverá dar lugar a um regime mais competitivo, em particular para projectos ligados à exportação, com baixas taxas desde o lançamento até à plena operação, com 2,5% a 5% de imposto sobre lucros e isenção para importação de matérias-primas.

“Queremos adoptar estas medidas, particularmente no que respeita às indústrias e aos serviços orientados para a exportação, podendo eu garantir que essa mudança será uma realidade”, afirmou.

O governo cabo-verdiano mostra-se particularmente interessado em investimentos em infra-estruturas e energias renováveis, além daquela que é a maior indústria do país, o turismo, e considera ter vantagens importantes em relação a outros países da região.

“Todos esses sectores podem, de facto, ser desenvolvidos aproveitando factos que são vantagens de Cabo Verde: estabilidade, baixo risco político e social, confiança. Este conjunto de factores permite investir em Cabo Verde com um cálculo económico de risco económico relativamente baixo e a possibilidade de se aproximar de outros mercados, enquanto se baseia aqui.” (Macauhub)

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