China é o maior financiador e construtor de infra-estruturas em Moçambique

30 April 2018

A China é hoje em dia o maior financiador e construtor de infra-estruturas em Moçambique, de que são exemplo a ponte Maputo/Catembe, a estrada circular de Maputo, a Estrada Nacional 6 e o porto de pesca da cidade da Beira, disse o embaixador da China no país, em declarações prestadas em Maputo à revista Macao.

Para reforçar a importância do relacionamento bilateral, o embaixador Su Jian recordou ainda ser a China o principal parceiro comercial de Moçambique e ser igualmente o principal investidor estrangeiro, “posição que se tem vindo a consolidar.”

Su Jian salientou a existência de outros projectos que fazem parte de uma lista compilada pelo governo de Moçambique com 13 áreas qualificadas de prioritárias e que foi alvo da assinatura, em 2017, de um memorando de entendimento, nomeadamente de parques industriais, estradas, caminhos-de-ferro, agricultura, exploração de recursos naturais e energéticos e igualmente portos.

O embaixador adiantou que a situação financeira delicada de Moçambique exige maior atenção à sustentabilidade do financiamento, “uma vez que não queremos agravar os encargos financeiros do país”, consideração que levou a China a procurar em conjunto com o governo moçambicano soluções alternativas que permitam o desenvolvimento sustentado do país.”

Su Jian defendeu o estabelecimento de parcerias público-privadas para a realização desses projectos, ao invés de exigir do governo de Moçambique a atribuição e garantias soberanas, “a fim de não contribuir para o agravamento da já muito difícil situação financeira do país.”

Num contexto de subida acelerada do endividamento do Estado moçambicano, que se encontra em situação de incumprimento perante os credores, as autoridades chinesas têm vindo, de acordo com Su Jian, a encorajar os empresários e os banqueiros chineses a experimentar formas diversificadas de financiamento.

O embaixador mencionou como exemplo concreto desta nova forma de funcionar o caso do grupo China National Petroleum Corporation, que já investiu mais de 5000 milhões de dólares no consórcio do bloco Área 4, na bacia do Rovuma, onde conta com uma participação indirecta de 20%.

O diplomata salientou que Moçambique, que tem 2600 quilómetros de costa e muitos portos, um dos quais de águas profundas, o de Nacala, e que pode funcionar como plataforma entre o Oceano Índico e alguns países do interior do continente africano sem acesso directo ao mar, pode vir a ter um papel a desempenhar na expansão natural da Rota Marítima da Seda do século XXI, tal como foi afirmado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, quando em 2016 visitou o país.

Su Jian, antigo embaixador em Cabo Verde, disse ainda à revista Macao, em declarações a serem publicadas na edição de Maio, que o futuro das relações empresariais entre os dois países deverá passar mais por zonas económicas especiais e parques industriais, com investimentos de indústria ligeira, tais como produção de materiais e construção e de processamento de produtos agrícolas.

Moçambique irá ser país parceiro da edição deste ano da Feira Internacional de Macau (MIF 2018), o que acontece pela primeira vez, ocorrência que será uma oportunidade para “usar a plataforma de Macau com o estabelecimento de parcerias”, disse Lourenço Sambo, presidente da Agência para a Promoção de Investimentos e Exportações de Moçambique.

“Com a China é preciso definir o que se quer, é preciso que Moçambique disponha de um plano de acção para tornar operacional a cooperação bilateral”, disse ainda Sambo à mesma edição da revista Macao. (Macauhub)

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