China é um “parceiro importantíssimo” para São Tomé e Príncipe, afirma primeiro-ministro

A China é “um parceiro importantíssimo” para São Tomé e Príncipe, em particular para os “projectos estruturantes” do aeroporto, novo porto e habitação, disse à agência Macauhub o primeiro-ministro são-tomense.

Jorge Bom Jesus, em entrevista à agência realizada em São Tomé, justificou a sua afirmação com o facto de a China estar a doar anualmente 30 milhões de dólares, bem como outros apoios pontuais, além da sua participação nos projectos “que qualificamos de estruturantes.”

“A China está a ajudar-nos a modernizar o país”, afirmou o primeiro-ministro, na entrevista que será publicada na revista Macao em Setembro.

O chefe de Governo são-tomense, eleito em 2018, disse que os estudos relativos à ampliação e modernização do novo aeroporto “estão já bastante avançados” e que as obras deverão iniciar-se entre o final de 2019 e o início de 2020.

A China vai ainda financiar os estudos do novo porto de São Tomé, que numa primeira fase terá uma vocação comercial e pesqueira, mas que o governo pretende que venha a ter maior dimensão no futuro.

O projecto do porto de águas profundas, anunciado pelo Governo anterior de Patrice Trovoada, não se encontra, para já, no horizonte.

“Vamos começar com um porto com cais acostável, uma vez que não podemos continuar a uma situação em que os navios não podem acostar, algo que encarece bastante as mercadorias”, disse.

Estes projectos estruturantes terão, “em princípio financiamento chinês”, de fundos públicos, “mas também há abertura para fundos privados” com apoio da China, “dos bancos chineses e linhas de crédito postas à disposição”, adiantou Jorge Bom Jesus.

Antes mesmo das obras do aeroporto, terá início a construção das primeiras 60 casas, de um total de 200 distribuídas em 5 blocos de habitação nos distritos de Lobata e Cantagalo, próximo da capital.

A cooperação com a China estende-se ainda à recuperação da cidade de São Tomé, importante para a história e o turismo no país, disse Bom Jesus.

Na entrevista, Bom Jesus reconheceu a situação financeira difícil do arquipélago e pressões do Fundo Monetário Internacional para conter gastos, mas defende que tal não compromete o financiamento de projectos estruturantes.

“Em relação à China estamos a falar sobretudo de donativos, mas também veremos em que medida poderemos, pela via privada, através de créditos bonificados com períodos de carência longo” lançar os projectos estruturantes, disse.

Entre as prioridades está a melhoria do ambiente de negócios, além da reactivação do projecto de zona franca, incluindo praça financeira e porto, o que implica “alguma reforma em termos fiscais, para incentivar a fixação das empresas.”

São Tomé e Príncipe acolheu este ano o 14.º Encontro Empresarial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, dois anos após o reatamento de relações diplomáticas sino-são-tomenses e da adesão ao Fórum de Macau. (Macauhub)

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