China garante mais de metade do financiamento externo para a rede de estradas de Moçambique

30 July 2018

Os empréstimos concedidos pela China têm vindo a tornar-se cada vez mais importantes na manutenção e construção de estradas em Moçambique, devendo em 2018 ser responsáveis por 53% do financiamento externo ao sector rodoviário, segundo a imprensa local.

O jornal A Verdade escreveu que o governo tem um défice superior a 3000 milhões de dólares para financiar este ano a construção, recuperação e a manutenção de pouco mais de cinco mil quilómetros de estradas consideradas prioritárias, e que a China, Banco Mundial e o Japão continuam a ser os únicos parceiros que prestam apoio a essa área estratégica de desenvolvimento.

Desde Abril de 2016, após a descoberta das dívidas “escondidas” avalizadas pelo anterior governo, de Armando Guebuza, que os principais financiadores do sector suspenderam os apoios, particularmente os países da União Europeia, mas as instituições bancárias ocidentais também se retraíram, numa fase em que o recurso a créditos comerciais para construir e melhorar a rede rodoviária ganhava espaço.

Além da China, as excepções à escassez de financiamento para o sector rodoviário são o Banco Mundial, Banco de Desenvolvimento Africano, Japão, Índia e Coreia do Sul, além de projectos pontuais com fundos europeus que já estavam em curso, segundo o jornal.

O Orçamento de Estado tem consignados apenas 90,2 milhões de dólares, cerca de 2,0% do total necessário para o sector rodoviário, devendo as obras na rede de estradas ser financiadas pelos parceiros de cooperação, inicialmente com donativos e créditos em condições preferenciais e, mais recentemente, com financiamento comercial.

O jornal escreveu que o governo precisa de pouco mais de 5000 milhões de dólares para materializar os 47 projectos de infra-estruturas planeados para 2018.

A província de Tete seria a que teria mais vias, 920 quilómetros, mas o governo apenas conseguiu mobilizar, através do Banco Mundial, 23 milhões de dólares dos 773 milhões de que necessitava.

A segunda província com maior extensão de estradas para serem objecto de obras em 2018 é Gaza, para onde o governo só conseguiu mobilizar 76,1 milhões de dólares necessários para a recuperação pós-cheias de 191 quilómetros.

Para a província do Niassa, aquela que tem a terceira maior extensão de estradas previstas para obras em 2018, o governo conseguiu financiamento para cinco das sete intervenções programadas.

A rede rodoviária moçambicana consiste em 30 345 quilómetros, dos quais 7412 são estradas asfaltadas e os restantes 22 933 em terra batida.

Grande parte das estradas alcatroadas pertence à rede primária, estradas nacionais, cuja maior extensão está na província de Tete, 1005 quilómetros, depois na província da Zambézia, 885 quilómetros, seguida pela província de Nampula, 815 quilómetros.

O governo de Filipe Nyusi, ao abrigo do Plano Quinquenal 2015/2019, propunha-se manter em boas condições 75% da rede rodoviária, recuperar 2743 quilómetros de estradas nacionais e regionais, asfaltar 2097 quilómetros, efectuar a manutenção de rotina anual em 20 mil quilómetros de estradas nacionais e regionais e realizar manutenções periódicas em 5000 quilómetros e ainda construir 48 pontes. (Macauhub)

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