China mais criteriosa no financiamento a Angola

15 October 2018

Angola obteve um financiamento adicional de 2 mil milhões de dólares da China, menos do que os 11 mil milhões de dólares pretendidos, num contexto de maior critério chinês na concessão de créditos.

A propósito da visita de Estado a Pequim do Presidente angolano, João Lourenço, a 8 e 9 de Outubro, fonte citada pelo diário angolano Novo Jornal referiu que o linha e financiamento de 2 mil milhões de dólares aberta pelo Banco de Desenvolvimento da China representa uma mudança de política na concessão de crédito, em que a aplicação dos fundos deve ser “bem justificada”, conforme as prioridades do país.

O montante foi inferior ao pretendido por Angola, porque o Governo chinês considerou que as necessidades apresentadas, numa primeira fase, podem ser atendidas com o montante agora disponibilizado.

De acordo com a mesma fonte citada pelo jornal angolano, a nova política chinesa já levou a que alguns projectos que deveriam ser desenvolvidos com as linhas de crédito da China fossem travados, porque se entendeu que não eram prioritários, havendo também preocupação com “a má qualidade (das obras) que se vai associando aos chineses”.

Durante a visita a Pequim, o ministro das Finanças, Archer Mangueira, afirmou que o novo “financiamento será destinado a projectos que possam gerar cash flow, criar rendimentos, de forma a contribuir para a sustentabilidade desta própria dívida, ou seja, para amortização da dívida a médio e longo prazo”.

De acordo com o China Africa Research Initiative (CARI), da Universidade de Johns Hopkins, Angola recebeu empréstimos da China num total de 42,8 mil milhões de dólares, nos últimos 17 anos.

Dados oficiais angolanos colocam a dívida actual à China em  23 mil milhões de dólares.

Num artigo recente a propósito das infraestruturas de transportes reabilitadas em Angola com as linhas de crédito chinesas, também a newsletter Africa Monitor deu conta de mudanças nos critérios de financiamento chineses.

“As autoridades chinesas não denotam uma redução do seu interesse pelo mercado angolano, onde, aliás, contam com atitude deferente dos responsáveis político mas demonstram estar a esforçar-se por melhorar a má imagem que tem na população, advinda de práticas de que se está também a libertar”, refere o Africa Monitor.

Na reabilitação de estradas agora em curso, incluindo em troços de extensão considerável da que liga Luanda ao Huambo, um dos principais eixos viários do país os empreiteiros chineses denotam agora maior preocupação com a qualidade da empreitada, nomeadamente na robustez do piso e abertura de valetas de drenagem de águas pluviais nas suas bermas.

Outro exemplo é uma construção nitidamente mais sólida o novo Hospital Geral de Luanda, implantado no mesmo local onde esteve o anterior, demolido.

Segundo o Africa Monitor, parte substancial da nova linha de crédito, garantida por petróleo, será destinada a financiar 78 projectos de desenvolvimento, a maior parte dos quais no campo das infraestruturas. (Macauhub)

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