China Railways assume projecto de ligação ferroviária de Moçambique ao Zimbabué

13 August 2018

A China Railways propôs a construção de  uma linha de caminho-de-ferro ligando Moçambique ao Zimbabué, através da Zâmbia, um projecto com um custo estimado em 2,5 mil milhões de dólares que dará às empresas destes dois últimos países acesso facilitado aos portos moçambicanos.

O projecto da linha Trans-Zambeziana levou no final de Julho a Harare uma delegação da China Railways, chefiada pelo vice-presidente Shao Gang, para contactos com o governo local, juntamente com o parceiro local, a Global Power Bridge International, segundo relatou a imprensa de Harare.

A primeira fase do projecto consistirá numa ligação de 400 quilómetros entre Shamva, no Zimbabué, e Moatize, em Moçambique, de onde parte uma linha de 900 quilómetros de extensão até ao porto de Nacala (Corredor Logístico de Nacala, por onde é escoado o carvão da mina de Moatize, produzido pela brasileira Vale), projecto inaugurado em Maio de 2017 pelo Presidente de Moçambique.

A construção de novos troços desta linha e a reconstrução de outros iniciou-se em 2012 e incluem um troço de 200 quilómetros que atravessa um país vizinho, o Maláui.

O projecto da China Railways envolve ainda a construção de uma linha de 1700 quilómetros ligando directamente Binga, na fronteira do Zimbabué com a Zâmbia, até ao porto de Nacala.

A China Railways declarou o seu interesse no projecto em Março deste ano, numa carta ao Governo do Zimbabué assinada por Gang Shao, segundo o diário Financial Gazette.

“Temos estado a trabalhar de perto com a Global Power Bridge International para estabelecer as fundações do projecto ferroviário e estamos prontos a iniciá-lo”, afirma Shao.

O projecto envolve ainda a chinesa New Century Energy International, que tem um projecto de produção de soja em grande escala no Zimbabué, avaliado em 500 milhões de dólares.

O presidente da Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM), empresa estatal que tem participações em todos os portos do país, anunciou recentemente que a empresa pretende investir 200 milhões de dólares na modernização da sua rede ferroviária ao longo dos próximos três anos.

Um artigo recentemente publicado no China-Lusophone Brief (CLBrief), um serviço de informação sobre a China e os países de língua portuguesa, Moçambique poderá vir a ter um papel a desempenhar na nova geração de linhas de caminho-de-ferro em África.

O artigo refere que a nova vaga de construção de linhas de caminho-de-ferro presta mais atenção às necessidades reais dos países africanos, caso das que estão a ser construídas para ligar os portos de Mombaça e Dar-es-Salaam, no Oceano Índico, aos países sem acesso directo ao mar da região dos Grandes Lagos.

“Moçambique poderia ser um dos grandes intervenientes nesta segunda revolução ferroviária, dado que, embora as linhas de caminho-de-ferro que detém sirvam fundamentalmente para transportar carvão, poderão servir igualmente para apoiar o crescimento do comércio trans-fronteiriço”, pode ler-se.

As linhas de caminho-de-ferro que transportam carvão da África do Sul e do Botsuana para exportação podem ser utilizadas para transportar outros produtos e as linhas que existem no região centro-norte do país podem ser igualmente utilizadas para transportar os produtos que os países sem acesso ao mar da região, casos do Malaui e Zimbabué, precisam de exportar.

Além da linha do Sena, que liga Moatize ao porto da Beira, província de Sofala, há outra linha construída no período colonial que estabelece a ligação entre este porto e o Zimbabué, Zâmbia e a República Democrática do Congo, que estando em funcionamento até ao Zimbabué necessita de um investimento maciço para que retome a ideia que esteve na sua origem. (Macauhub)

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