China reforça posição de maior credor bilateral de Moçambique

10 February 2020

A China continua a reforçar a sua posição de maior credor bilateral de Moçambique e assim deverá continuar nos próximos anos, devido a novos créditos negociados entre os governos dos dois países, segundo números oficiais.

O parecer do Tribunal Administrativo de Moçambique sobre a Conta Geral do Estado (CGE) de 2018, agora divulgado, revela que a dívida à China subiu 300 milhões de dólares entre 2017 e 2018, quando ascendeu a 2,17 mil milhões de dólares.

O aumento, segundo o jornal moçambicano A Verdade, relaciona-se com endividamentos durante o último mandato do ex-presidente, Armando Guebuza, nomeadamente a parcela final do financiamento do Banco de Exportações e Importações da China, no valor de 6,7 mil milhões de meticais (cerca de 105 milhões de dólares), para a construção de ponte Maputo-Catembe e da estrada Catembe/Belavista/ Ponta do Ouro.

O valor, segundo a mesma fonte, não inclui os novos créditos negociados junto da China pelo presidente Filipe Nyusi.

A dívida à China aumentou em quase 800 milhões de dólares nos últimos quatro anos e equivalia, no final de 2018, a 39% da dívida externa moçambicana.

O valor da dívida à China é o dobro da dívida ao segundo maior credor bilateral, Portugal (609 milhões em 2018, menos 5,0% do que no ano anterior).

Na lista dos maiores credores de Moçambique seguem-se o Japão (299 milhões de dólares, mais do dobro do registado em 2017) e a Líbia (255 milhões).

A China tem vindo também a ganhar peso no comércio externo de Moçambique, segundo o anuário do Instituto Nacional de Estatística moçambicano, divulgado em Novembro de 2019.

Por valor, a China subiu de terceiro para segundo maior fornecedor de Moçambique em 2019, sendo origem de importações de 799,5 milhões de dólares, 11,5% das compras moçambicanas ao exterior.

A principal origem das importações foi a África do Sul, com 1,9 mil milhões de dólares, segundo a mesma fonte.

Entre os destinos das exportações moçambicanas em 2018, a China surge na 4ª posição com 239,5 milhões de dólares, sendo o principal destino a Índia, com 1,37 mil milhões de dólares, seguida dos Países Baixos e África do Sul.

As exportações moçambicanas para a Índia são sobretudo de carvão, enquanto para os Países Baixos são alumínio e para a África do Sul gás natural e energia eléctrica.

Ao nível do comércio externo, o défice da balança comercial do país agravou-se de 1,020 milhões de dólares em 2017 para 1,931 milhões de dólares em 2019, segundo o INE. (Macauhub)

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