Continuidade da parceria China-África assegurada no Congresso Nacional do PCC

27 November 2017

O 19.º Congresso Nacional do Partido Comunista da China (PCC), realizado em Outubro, traçou um quadro de continuação da parceria China-África, já elevada por Pequim a nível estratégico, afirmou o analista Richard Li.

Em artigo para o centro de estudos NTU-SBF Centre for African Studies, criado pela Nanyang Technological University e pela Singapore Business Federation, Richard Li afirma que a elevada probabilidade de continuidade do presidente Xi Jinping e do primeiro-ministro Li Keqiang é positiva para o continente africano, que tem beneficiado do apoio chinês para o seu desenvolvimento.

“Para África, esta será uma continuação nas relações China-África e, qualquer que seja o plano que o presidente Xi e o primeiro-ministro Li ponham em prática, continuará e será totalmente executado”, afirma o analista, parceiro da consultora Steel Advisory Partners, de Singapura.

Previsto para 2018 em Pequim, com presença esperada dos principais líderes africanos, o 7.º Fórum para a Cooperação China-África (FOCAC) deverá “estender ainda mais e aprofundar o relacionamento” bilateral alcançado durante o mais recente FOCAC, realizado em 2015 em Joanesburgo, adianta Li.

No FOCAC de 2015, o presidente Xi anunciou um compromisso de 60 mil milhões de dólares para África, além de concordar em actualizar o relacionamento entre a China e a África para uma “parceria de cooperação estratégica abrangente”, baseada em cinco pilares.

Segundo Li, outro “importante projecto de transformação” nas relações chinesas com o continente africano é a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, lançada em 2013 e envolvendo vários países africanos, muitos dos quais estiveram representados na cimeira de Maio, em Pequim, dedicada ao projecto, cujos primeiros investimentos já começaram a chegar ao terreno.

Num relatório recente, o Banco Mundial prevê que, para colmatar o seu défice de infra-estruturas, África precisará de 100 mil milhões de dólares por ano de investimento, no futuro previsível, e a China tem vindo a ser o principal financiador e construtor destas infra-estruturas, como no caso de Angola.

Para Richad Li, a “parceria China-África deverá continuar a crescer após o 19.º Congresso Nacional” do PCC, com a continuidade da liderança chinesa, mas também num contexto de “necessidade da China de reformar sua própria economia doméstica”, bem como de “forjar o seu lugar na cena política, económica e cultural global.”

“Para o continente africano”, adianta, “enquanto ganha significativamente com as suas relações com a China, a responsabilidade também recai sobre os respectivos líderes africanos, no sentido de cuidarem dos seus interesses nacionais, bem como de elevarem o seu desenvolvimento económico a maiores alturas.” (Macauhub)

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