Diversificação económica é prioritária para Cabo Verde

21 February 2018

A diversificação da economia de Cabo Verde é a grande prioridade para o governo do arquipélago que, para tal, pretende atrair mais investimento, sobretudo para infra-estruturas, melhorar o ambiente de negócios e abrir-se a economias emergentes, escreveu recentemente a AICEP Portugal Global.

A agência portuguesa responsável pelo investimento e comércio externo sublinhou em documento publicado em Janeiro em que faz uma actualização do mercado de Cabo Verde a trajectória de crescimento da economia daquele país de língua portuguesa, de 1,1% em 2015 para 3,9% em 2016 e 4,6% em 2017, com as previsões a apontarem para um ligeiro abrandamento no ano em curso, mas mantendo-se o ritmo de crescimento superior a 4,0%.

“O desempenho da Zona Euro – da qual Cabo Verde é fortemente dependente nas áreas do comércio, turismo, investimento estrangeiro e remessas dos emigrantes – irá abrandar, em comparação com 2017, o que provocará um menor crescimento do sector dos serviços, o principal motor da economia cabo-verdiana”, afirma a Aicep Portugal Global.

Contudo, adianta, a diversificação da economia cabo-verdiana está a fazer o seu curso, em termos de base produtiva e de mercados.

“A política do governo cabo-verdiano continuará a dar prioridade ao desenvolvimento infra-estrutural, com recurso ao investimento público e aos fluxos de investimento estrangeiro, à melhoria da eficácia do sector público e ao combate ao desemprego”, refere.

“Não menos importante será a reforma de todo o ambiente de negócios, tendo em vista, a prazo, a diversificação de uma economia dependente do sector do turismo, reduzindo a sua exposição à envolvente externa e tornando-a menos dependente do exterior, em especial da Zona Euro, procurando estabelecer parcerias com mercados emergentes, sobretudo africanos”, adianta.

Dados do International Trade Center indicam que a China é o único dos cinco principais fornecedores cabo-verdianos que não pertence à União Europeia, com uma quota de 4,1% das importações, numa lista liderada por Portugal com mais de 50%.

Também os principais clientes são da União Europeia – Espanha, Portugal e Itália são os maiores importadores de bens e serviços de Cabo Verde, país em que o turismo é o “motor” da economia.

Os projectos ligados ao mar são centrais à estratégia de diversificação económica, em particular o da futura Zona Especial de Economia Marítima (ZEEM) de São Vicente, a primeira estrutura do género com vocação marítima, criada com apoio da China.

Durante uma recente visita à ilha, na companhia do embaixador da China, o chefe do governo de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, adiantou que o projecto integrado prevê oferta de transportes marítimos, operações portuárias, pesca, serviços especializados de apoio logístico, bem como turismo, ciência e educação especializada no sector do mar.

Em curso, referiu, está a elaboração do estudo de viabilidade, com base na concepção inicial da parte do governo, sendo objectivo que o projecto esteja operacional até final da actual legislatura, dentro de pouco mais de três anos.

O Ministério da Economia Marítima de Cabo Verde tem, por iniciativa do Governo, sede na cidade do Mindelo, a mais populosa da ilha de São Vicente.

José Gonçalves, ministro que tutela dois ministérios, Economia Marítima, com sede em São Vicente, e Turismo e Transportes, na capital, acompanhou recentemente a visita de uma delegação empresarial da China àquela ilha, tendo afirmado no final que os representantes da empresa chinesa Shandong Hi-Speed Group Co. manifestaram “enorme interesse” em participar no desenvolvimento da ZEEM. (Macauhub)

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