Economia angolana mais fraca do que previsto em 2019

8 April 2019

O ano de 2019 deveria ser o da retoma económica em Angola, mas, segundo as últimas previsões do governo, será um ano de crescimento marginal, na melhor das hipóteses.

Depois de contracções de 2,6% e 0,1% em 2016 e 2017, respetivamente, a economia angolana deve ter aprofundado a queda no ano passado, para menos 1,7%, segundo afirmou em Fevereiro o ministro da Economia e Planeamento, Pedro Luís da Fonseca.

As perspectivas de crescimento de 2,8% inscritas no Orçamento de Estado para 2019, recebidas com elevadas expectativas pelos agentes económicos, foram agora revistas em baixa pelo Ministério das Finanças, na Estratégia de Endividamento de Médio Prazo (2019-2021), para apenas 0,4%.

O Banco de Fomento Angola informou em nota de análise que a diferença deve-se sobretudo a previsões mais baixas para o Produto Interno Bruto petrolífero, que deverá cair 2,2%, em vez de crescer 1,7%, conforme inicialmente estimado.

“Se confirmado, isto é consistente com uma produção petrolífera abaixo de 1,49 milhões de barris diários para todo o ano. Este provaria ser um cenário mais negativo do que o esperado, dado que nem sequer cobriria a quota de exportação permitida pela OPEP”, tendo em conta as ramas usadas internamente para refinação.”

O governo espera agora que o crescimento regresse em 2020 e 2021, na ordem de 3,2%, com o PIB não-petrolífero a acelerar de 1,5% em 2019 para 3,7% em 2020 e 4,5% em 2021.

As previsões do governo para 2019 são mais optimistas do que as mais recentes da Economist Intelligence Unit (EIU), que estima nova contracção nos próximos 2 anos, de 1,9% em cada um dos anos, antes de regressar a valores positivos no período de 2021 a 2023.

Ainda segundo a EIU, a fraca economia doméstica, combinada com a valorização do dólar dos Estados Unidos e a fraca apreciação dos investidores relativamente aos mercados emergentes, continuará a pesar sobre o kwanza em 2019, que terá tendência a depreciar-se.

Se este ano e no próximo os baixos preços do barril de petróleo continuarão a ter uma influência negativa na economia do país, no período entre 2021 e 2013, com a subida dos preços e o aumento da produção, dar-se-á a inversão de taxas negativas para positivas.

Dessa forma, os analistas da EIU antecipam que a economia angolana deverá crescer à média anual de 6,3%, com um valor máximo de 7,0% em 2021 e mínimo de 5,9% em 2023.

A EIU adianta neste seu relatório que, não obstante os esforços para diversificar a economia, a actividade continuará a estar dependente da evolução do sector petrolífero, não sendo de esperar grandes alterações no curto a médio prazo. (Macauhub

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