Economia de Moçambique em processo de recuperação

28 August 2017

A economia de Moçambique tem vindo a apresentar sinais de reanimação, com a economia a acelerar, a moeda a apreciar-se e as reservas internacionais a recomporem-se, depois de um difícil ano de 2016, de acordo com analistas.

O Banco Mundial afirmou no recente estudo “Actualidade Económica de Moçambique” que, depois de um ano de 2016 de abrandamento, depreciação do metical e inflação, “as primeiras tendências de 2017 mostram sinais de melhoria.”

Além de a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto ter acelerado no primeiro trimestre para 2,9%, o metical apreciou-se 28% nos últimos nove meses relativamente ao dólar, devido a uma “forte resposta a nível de política monetária” que “também ajudou a inflação a abrandar.”

A melhoria das exportações, impulsionadas pela recuperação dos preços das matérias-primas e, em particular do carvão, também aumentou a entrada de divisas, permitindo dessa forma a reconstituição das reservas internacionais.

“O aumento dos preços do carvão, alumínio e gás, uma recuperação pós “El Niño” na agricultura e o progresso nas conversações de paz poderiam orientar o crescimento no sentido de atingir 4,6% em 2017 e 7,0% até ao final da década”, afirmou o Banco Mundial.

A instituição financeira internacional deixou igualmente alertas para alguns desafios, tais como possíveis flutuações nos preços das matérias-primas e os níveis ainda elevados da inflação, da taxa de juro de referência, esta “entre as mais elevadas da África a sul do Saara” e das taxas médias de crédito da banca comercial (c. 30%), “proibitivas para grande parte do sector privado.”

Outro desafio importante, afirmou, é a política orçamental e a necessidade de reestruturação da dívida, actualmente “insustentável.”

Grande parte das expectativas de reanimação económica reside nos projectos de gás natural liquefeito para a bacia do Rovuma (norte), envolvendo investimentos de grande dimensão.

O grupo italiano ENI, líder de um consórcio internacional que inclui o grupo China National Petroleum Corporation, chegou a uma decisão final de investimento (FID) no dia 1 de Junho para o projecto de GNL no bloco da Área 4 na Bacia do Rovuma, que deverá começar a produzir em 2022.

O governo moçambicano espera que o outro consórcio (Área 1) a operar na bacia do Rovuma, liderado pelo grupo norte-americano Anadarko Petroleum, chegue à sua FID até ao final do ano.

A Economist Intelligence Unit afirmou que a economia moçambicana deverá crescer 4,2% em 2017, “impulsionada quase inteiramente pelo sector de minerais.”

“A indústria do carvão irá expandir-se rapidamente, impulsionada por preços internacionais mais fortes, procura robusta na Índia (principal mercado de exportação de Moçambique) e esforços recentes das empresas mineiras para aumentar a eficiência”, referiu a EIU no seu mais recente relatório sobre o país.

Contudo, alerta, a “austeridade orçamental, condições de liquidez apertadas e inflação elevada sufocarão a procura doméstica e a incerteza política prolongará a queda no investimento”, ainda assim com o crescimento a acelerar, para uma média de 5,3% entre 2018 e 2021.

O Africa Monitor Intelligence também afirmou que o aumento das exportações, sobretudo das indústrias extractivas (carvão e alumínio), financiamento internacional (grande parte do Banco Mundial) e o efeito dos grandes investimentos em curso no sector energético, “têm sido factores decisivos recentes para a valorização do metical e para a recuperação da confiança na economia.” (Macauhub)

MACAUHUB FRENCH