Economias mais pequenas de entre os países africanos de língua portuguesa crescem acima da média regional em 2018

São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Cabo Verde, as três mais pequenas economias africanas de língua portuguesa, deverão registar um crescimento económico em 2018 muito acima da média da região da África a sul do Saara, de acordo com as mais recentes previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Divulgadas na semana passada, nas habituais Reuniões da Primavera do FMI, as previsões são particularmente favoráveis para São Tomé e Príncipe, que verá o seu crescimento económico acelerar para 5% este ano, face a 4% no ano passado, ganhando ainda mais ritmo em 2019, para 5,5%.

No caso da Guiné-Bissau, deverá manter-se este ano e em 2019 o mesmo ritmo de crescimento económico registado em 2017 – 5,5%.

Com a média de crescimento da economia regional a aumentar para 3,4% este ano e para 3,7% no próximo, Cabo Verde acelera este ano para 4,3% de crescimento, mas deverá abrandar para 4% no próximo ano.

Já as duas maiores economias africanas de língua portuguesa irão crescer este ano e no próximo abaixo da média, com Moçambique a abrandar para 3% este ano e 2,5% no próximo, uma revisão em baixa face às anteriores previsões do FMI; contudo, a economia moçambicana apresenta as mais animadoras perspectivas para o médio prazo – um crescimento de 9,9% em 2023, ano em que é esperado o início da exploração de gás natural no país.

Angola deverá registar o crescimento mais baixo entre os países africanos de língua portuguesa em 2018 e 2019 – respectivamente 2,2% e 2,4% por cento, de acordo com a revisão em alta feita das previsões do FMI; para 2023, a previsão é mais animadora, 4,9%, acima da média regional.

As previsões de crescimento económico de Angola elaboradas pela Economist Intelligence Unit são menos generosas do que as do FMI, antecipando para este ano uma taxa de apenas 1,7%.

No relatório Africa’s Pulse, uma análise semestral do estado das economias africanas conduzida pelo Banco Mundial, divulgada também na semana passada, o caso de Angola é apontado, juntamente com os da Nigéria e África do Sul, como de “retoma gradual do crescimento” nas maiores economias.

“Para muitos países africanos, a recuperação económica é vulnerável a flutuações nos preços e na produção de matérias-primas”, afirmou Punam Chuhan-Pole, economista-chefe do Banco Mundial e o autor do relatório, sublinhando a necessidade de “estratégias de diversificação” a nível governamental.

De um modo geral, o Banco Mundial considera que a retoma na África a sul do Saara não está a ser suficientemente rápida, estando os níveis de crescimento ainda longe dos registados antes da crise, tornando-se urgente acelerar e aprofundar as reformas macro-económicas e estruturais “para se alcançar níveis de crescimento altos e sustentados.”

O relatório aponta ainda para o aumento da dívida pública relativamente ao Produto Interno Bruto na região e a mudança da composição da dívida, “uma vez que os países se afastaram das tradicionais fontes de financiamento em condições preferenciais para outras baseadas no mercado.” (Macauhub)

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