Financiamento da China para obras públicas em Moçambique superou 2,28 mil milhões de dólares

8 January 2018

A ponte Maputo/Catembe, a ser inaugurada nos próximos meses na capital de Moçambique, representa o maior financiamento concedido pela China para a construção de infra-estruturas no país africano, cujo montante global excedeu 2,28 mil milhões de dólares de 2000 a 2014.

O documento “Financiamento oficial chinês a África”, recentemente divulgado pela AidData, entidade de investigação ligada à universidade norte-americana William & Mary, indica que a construção da nova ponte da capital moçambicana tem um custo estimado em 725 milhões de dólares, dos quais 95% foram assegurados por um empréstimo concedido pelo Banco de Exportações e Importações (ExIm) da China e o restante pelo Orçamento de Estado moçambicano.

A China Road and Bridge Corporation (CRBC) colocou em Outubro passado o primeiro módulo dos 57 que vão constituir o tabuleiro principal da ponte que vai ligar a cidade de Maputo à vila da Catembe, do outro lado da baía, que deveria ter ficado concluída até final de 2017, mas cuja inauguração está prevista nos primeiros meses de 2018.

A edificação da ponte está inserida no projecto de construção da estrada Maputo/Ponta de Ouro, numa extensão de 209 quilómetros, empreendimento que se encontra dividido em três partes: o primeiro troço Maputo/Catembe, com uma extensão de 35 quilómetros, o segundo Catembe/Ponta de Ouro, com 109 quilómetros e que engloba a reparação/construção de estradas Catembe/Bela Vista e Bela Vista/África do Sul e o terceiro troço com 63 quilómetros e que compreende a reparação da estrada Bela Vista/Boane.

O documento da AidData revela que o segundo maior financiamento chinês a Moçambique foi concedido pelo mesmo banco em 2013, no montante de 416,5 milhões de dólares, para a reparação da estrada Beira/Machipanda.

O projecto faz parte de um pacote, acordado em Maio de 2013 durante uma visita à China do ex-presidente Armando Guebuza, para construção de um conjunto de estradas que inclui também a já inaugurada circular de Maputo (300 milhões de dólares) e a estrada Bene/Zumbo (278 milhões de dólares), entre outras.

Para o total de 2,28 mil milhões de dólares de financiamento chinês entre 2000 e 2014 contribuem ainda perto de 155 milhões de dólares de empréstimos livres de juros concedidos em 2007 para projectos na agricultura, saúde e educação, anunciados durante a visita a Maputo do ex-presidente chinês Hu Jintao.

Da lista consta ainda um financiamento de 133 milhões concedido pelo Banco de Exportações e Importações para a introdução da migração da transmissão analógica para digital em Moçambique, a cargo da empresa chinesa StarTimes, envolvendo a televisão e rádio públicas moçambicanas.

O mesmo banco surge ainda no levantamento da AidData com a concessão, em 2014, de um empréstimo de 120 milhões de dólares para a reconstrução do porto piscatório da cidade da Beira, na província de Sofala.

No mesmo período a AidData identificou acordos de calendarização ou perdão de dívida avaliados em 95,4 milhões de dólares.

A Economist Intelligence Unit escreveu recentemente que o governo moçambicano vai fortalecer nos próximos anos o seu relacionamento com os países asiáticos “particularmente com a China (um grande credor de Moçambique).”  (Macauhub)

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