Fundos para cooperação com África estão disponíveis, mas faltam projectos bem preparados

A disponibilidade de fundos europeus para financiar projectos de cooperação em África é grande, mas faltam projectos bem preparados, particularmente nos países africanos de língua portuguesa, de acordo com a presidente da portuguesa Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento (Sofid).

O parlamento europeu aprovou na semana passada o Fundo Europeu de Desenvolvimento Sustentável, que tem como objetivo mobilizar até 44 mil milhões de euros para investimento em África e em países da política de vizinhança da União Europeia, prevendo-se a afectação de pelo menos 28% do financiamento a investimentos que contribuam para a acção climática, as energias renováveis e a eficiência na utilização dos recursos.

A presidente da Sofid, Mariana Abrantes de Sousa, manifestou numa conferência organizada pela Fundação AIP e Africa Monitor Intelligence e realizada em Lisboa o grande interesse da instituição em participar na montagem de projectos nas áreas de energias renováveis e turismo, este último tendo um “importante impacto no desenvolvimento.”

Num contexto de crise em vários países africanos, em que o financiamento bancário comercial é escasso, a Sofid, adiantou, pode “ajudar a ir buscar mais recursos” a fundos europeus para a cooperação com África, ou ao Banco Europeu de Investimento, mas “faltam em África projectos bem preparados.”

“Se houver um projecto que tenha pernas para andar, podemos intervir bastante cedo, ajudar a perceber qual o objectivo do mesmo, se está bem estruturado, se o promotor tem capacidade e orientar para ir buscar fundos de outra entidade”, disse Abrantes de Sousa.

Actualmente, existem “grandes quantidades de fundos em diversas formas para África”, nomeadamente o recente fundo ElectriFI, ao qual a Sofid pode candidatar projectos empresariais para energias renováveis em África.

“A grande alteração que queremos fazer é intervir mais a montante. Há poucos dossiers prontos a analisar e assinar”, disse a responsável da Sofid, salientando a complexidade e exigência dos requisitos, nomeadamente estudos sociais ou ambientais.

A ausência de dados tornar mais difícil realizar estes estudos no continente africano, referiu, o que faz com que entidades como o Banco Europeu de Investimento tenham mais facilidade em emprestar na Ásia do que em África.

Mas também para preparar os dossiers “há muito dinheiro” disponível, através de bolsas a fundo perdido”, a que países e promotores podem aceder, embora também pouco usados por África, e com os países africanos de língua portuguesa praticamente ausentes das listas, afirmou Mariana Abrantes de Sousa.

Criada há 10 anos, a Sofid centra a sua actividade nos países africanos de língua portuguesa, Brasil, Timor-Leste, Marrocos, Tunísia, Argélia, África do Sul e outros países da África Ocidental e da América Latina.

Gere por conta do Estado português o fundo InstiMOZ, que tem uma dotação de cerca de 94 milhões de euros, criado como contrapartida da transferência do controlo da barragem de Cahora Bassa para o Estado moçambicano.

Está ainda a estruturar uma linha de crédito para São Tomé e Príncipe, com 10 milhões de euros garantidos pelos Estados português e são-tomense, para apoiar investimentos empresariais. (Macauhub)

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