Governo angolano quer mais “Feito em Angola” e menos importações

11 December 2018

O aumento da produção nacional e a substituição de importações tornou-se numa das principais preocupações para o novo governo de Angola, que assim pretende estimular a economia por via de novos investimentos e estancar a saída de divisas.

No âmbito do Programa de Apoio à Produção Nacional, Diversificação das Exportações e Substituição de Importações (Prodesi), recentemente aprovado, as autoridades têm vindo a apresentar nas últimas semanas o Portal de Divulgação da Produção Nacional e a aplicação “Feito em Angola.”

Dados oficiais indicam que o número de produtores e produtos inscritos aumenta numa base diária, estando já cadastrados um número superior a 270, sobretudo de Luanda, Bengo, Lunda-Norte, Benguela e Huambo.

A segunda semana de funcionalidade do portal ficou marcada pela criação da rede de apoio provincial e municipal aos produtores, com a realização de seminários nas 18 províncias do país, frequentadas por produtores, administradores municipais, directores provinciais dos Gabinetes Económicos Integrados, da Agricultura, Pecuária e Pescas, representantes do Instituto Nacional de Apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas, das associações empresariais e cooperativas e produtores locais.

O Prodesi tem por objectivo “acelerar a diversificação da economia” angolana, “dando prioridade a esta aceleração no fomento de produção e de fileiras exportadoras em sectores não-petrolíferos e em outras com forte potencial de substituição de importações.”

Os produtos definidos como prioritários (individualmente e enquanto fileira) incluem o arroz, soja, milho e outros cereais, leite, carnes, ovos, legumes, açúcar, café, chá e cacau, bem como madeira e derivados, algodão, sal, caju, flores e pescado.

Também entre os 63 produtos considerados prioritários são o asfalto, bebidas, produtos diversos da indústria de construção e reparação naval, produtos de higiene e limpeza, produtos de metais de base (ferro e outros), diamantes, ouro e outros minerais valiosos, bauxite, areias pesadas, calcário e gesso, adubos, vidro, produtos farmacêuticos, pneus e hotelaria em vários pólos turísticos no país.

Entre as principais importações em Angola em 2015 estavam as bebidas (402 milhões de dólares), carne de aves (341 milhões de dólares), outras carnes (310 milhões de dólares) e ainda o arroz (285 milhões de dólares).

No total, o país despendia mais de 2,9 mil milhões de dólares em produtos agro-industriais e outros 2,86 mil milhões de dólares em produtos de outras indústrias, incluindo materiais de construção ou medicamentos.

Excluindo o petróleo e os diamantes, as exportações angolanas ficaram-se por 142 milhões de dólares em 2016, segundo dados citados no Prodesi.

O documento define um conjunto de objectivos quantitativos para cada um dos eixos, nomeadamente aumentar as vendas totais das fileiras prioritárias – em 15% em 2018, 25% em 2020 e 50% em 2022 – reduzir o dispêndio de recursos cambiais com o “cabaz básico” de produtos, aumentar a entrada e diversificar as fontes cambiais, aumentar fontes de investimento externo, mas também melhorar o ambiente de negócios (5 posições em 2018 e 10 posições em 2020). (Macauhub)

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