Grupos italiano ENI e chinês CNPC têm novo parceiro na exploração de gás natural em Moçambique

11 September 2017

O grupo norte-americano ExxonMobil passou a controlar uma participação na empresa que funciona como operador do bloco Área 4, norte de Moçambique, onde tem como parceiros o grupo italiano ENI (35,7%) e o China National Petroleum Corporation (28,6%).

A entrada no capital da ENI East Africa, empresa que controla 70% do consórcio que explora aquele bloco da bacia do Rovuma, foi autorizado dia 5 de Setembro corrente pelo governo de Moçambique que, reunido em Conselho de Ministros, aprovou a alteração ao contracto de concessão.

Os restantes 30% do consórcio estão divididos em partes iguais entre os grupos português Galp Energia e sul-coreano Kogas e a estatal moçambicana Empresa Nacional de Hidrocarbonetos.

A ministra dos Recursos Minerais, Letícia Klemens, disse, ao anunciar a decisão, que o grupo norte-americano “tem grande capacidade técnica, nomeadamente em operações de extracção e de liquefacção de gás, dispondo igualmente de robustez financeira.”

A aprovação de venda de uma participação de 35,7% na ENI East Africa por 2,8 mil milhões de dólares em dinheiro vai render ao Estado moçambicano uma receita fiscal de 354,4 milhões de dólares, em consequência da aplicação do imposto sobre mais-valias.

O governo de Moçambique assinou em Agosto passado os contractos que autorizam a construção do terminal marítimo de gás natural liquefeito (GNL) e do porto de descarga de materiais na península de Afungi (distrito de Palma), a cargo da Anadarko Petroleum (Área 1) e ENI (Área 4).

O projecto, conhecido por Mozambique LNG, contempla um investimento de 20 mil milhões de dólares numa unidade conjunta de processamento e armazenamento de gás natural pelos campos Prosperidade (Área 1) e Mamba (Área 4).

O boletim Africa Monitor Intelligence escreveu que o governo decidiu acelerar os projectos em Cabo Delgado, tendo aprovado as condições de execução do terminal marítimo de GNL e das instalações que servirão de porto de descarga para a construção da unidade de transformação e distribuição de GNL.

O início do projecto de construção das infra-estruturas depende ainda da assinatura da decisão final de investimento (FID, na sigla inglesa) entre o grupo Anadarko Petroleum e a ENI East Africa, por um lado, e o governo, por outro, que deverá ser rubricada já em 2018, de acordo com aquele boletim. (Macauhub)

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