Indústria extractiva impulsiona economia de Moçambique, mas país precisa de um modelo de crescimento mais amplo

7 January 2019

A indústria extractiva tem estado a impulsionar a economia de Moçambique e ainda o fará mais com o início da exploração de gás natural em 2023, mas o país precisa de um modelo de crescimento mais amplo, segundo o Banco Mundial.

A instituição afirma na sua mais recente Actualização Económica de Moçambique que “mudar o modelo de crescimento para alargar os motores do crescimento e aumentar a produtividade nos sectores com maior potencial de emprego é um desafio primordial que os políticos de Moçambique com capacidade de decisão enfrentam na actualidade.”

“As indústrias extractivas não serão suficientes. Um foco intensivo e ambicioso na obtenção de diversificação, aumentando a produtividade rural e proporcionando um acesso mais generalizado aos serviços nos esforços nacionais de desenvolvimento é essencial para o crescimento inclusivo”, adianta.

No início de 2018, Moçambique obteve a decisão final de investimento para o desenvolvimento do projecto de gás natural Coral Sul, na bacia do Rovuma, que deverá entrar em produção em 2023.

Segundo o Banco Mundial, a economia moçambicana tem vindo a sofrer uma transição estrutural gradual em sentido positivo, à medida que o emprego na agricultura, o sector com o nível de produtividade mais baixo, perde peso em relação aos serviços – um sector que é seis vezes mais produtivo.

“Isso impulsionou a produção por trabalhador em média, estabeleceu a produtividade como o motor do crescimento nos últimos anos e aumentou o ritmo da redução da pobreza”, refere o estudo.

O Banco Mundial escreveu ainda que Moçambique começa agora “a emergir de um período de elevada volatilidade macro-económica, dois anos após as revelações das dívidas ocultas terem desencadeado uma recessão económica significativa.”

O actual período é caracterizado pela estabilidade do metical, que ajudou a reduzir a inflação de 26% no seu pico em Novembro de 2016 para pouco mais de 5% até Agosto de 2018, enquanto um rápido aumento nas exportações de carvão ao longo de 2017, equivalente a 7% do PIB, apoiou uma melhoria na balança comercial e a recuperação das reservas do banco central para sete meses de cobertura de importações.

O crescimento económico tem vindo a abrandar para a casa de 3%, abaixo dos 8% em média na década anterior, com uma diminuição da procura privada, especialmente nos serviços, que foi o maior impulsionador do crescimento nos anos anteriores à crise económica, reflectindo a redução no poder de compra do consumidor, especialmente para as famílias cujos rendimentos não acompanharam a subida de preços.

O estudo do Banco Mundial identifica riscos futuros consideráveis a nível macro-económico, nomeadamente um cenário de preços mais baixos para as principais exportações de carvão, alumínio e tabaco, sobretudo se as importações voltarem a subir.

Uma recuperação na procura de importações, se não for acompanhada por um melhor desempenho nas exportações de sectores-chave, como agricultura e energia, e um aumento no investimento, “provavelmente aumentará as necessidades de financiamento externo da economia e aumentará a pressão sobre as reservas do banco central”, refere o estudo. (Macauhub)

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