Investimento de Macau cria expectativas em Cabo Verde

31 October 2017

O empresário de Macau David Chow está a expandir os seus interesses em Cabo Verde, gerando expectativa da parte do governo e dos empresários locais de que os mesmos tragam repercussões positivas na economia cabo-verdiana.

O boletim de informação Africa Monitor Intelligence escreveu que Chow, já envolvido na construção do maior empreendimento hoteleiro na capital cabo-verdiana, está agora comprador de propriedades agrícolas no interior da ilha de Santiago, para o abastecimento de bens alimentares aos hotéis no país e também para exportação.

A pretensão do empresário, refere o boletim, citando fontes empresariais, passa pela compra de uma área de cerca de 1500 hectares, o que tornaria a sua empresa no maior produtor agrícola de Cabo Verde, hoje largamente dependente de importações.

A expectativa nos meios empresariais é que o projecto agrícola possa dinamizar o sector e trazer novos investimentos, nomeadamente internacionais, complementares ou concorrentes.

A construção do projecto “âncora” do empresário, o complexo do ilhéu de Santa Maria, promovido pela Macau Legend Development Ltd e a cargo de uma construtora chinesa, está em curso e já foram erguidos 4 pisos do edifício de escritórios, sendo que o hotel, após alterações ao projecto inicial, terá uma altura de 14 andares.

O Africa Monitor Intelligence escreveu ainda que o governo cabo-verdiano tem vindo a criar condições excepcionais para o desenvolvimento dos projectos de Chow, nomeadamente com a nomeação de um coordenador do comité cabo-verdiano de acompanhamento das obras do empreendimento hoteleiro.

Este coordenador, Alberto Melo, foi vereador de urbanismo na Câmara Municipal da Praia até Setembro de 2016 e é actualmente presidente da Assembleia Municipal da capital, além de responsável máximo das Zonas de Desenvolvimento Turístico Integral e administrador não-executivo do Fundo do Turismo.

O sector financeiro está também na mira de Chow, que assinou em Maio um memorando de entendimento com o governo para a criação, em Cabo Verde, do Banco Sino-Atlântico, através do qual o empresário se propõe atrair capital chinês, dar apoio à pequenas e médias empresas do país e facilitar os pagamentos locais e internacionais, em linha com a política económica definida pelo governo.

O prazo definido para apresentação do projecto ao Banco de Cabo Verde, o banco central, é de seis meses, pelo que são esperados durante o mês de Novembro desenvolvimentos no projecto. (Macauhub)

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