Moçambique aproxima-se da China com nomeação de novo MNE e de nova embaixadora

22 January 2018

O Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, nomeou um novo ministro dos Negócios Estrangeiros com ligações à China, bem como uma nova embaixadora para este país, numa altura em que as relações económicas e comerciais bilaterais estão em fase de crescimento, de acordo com o boletim de informação Africa Monitor Intelligence.

A nomeação do novo chefe da diplomacia moçambicana, José Pacheco, em Dezembro, surge numa fase de afastamento do país em relação aos doadores ocidentais, que suspenderam o apoio a Moçambique em 2016 após a divulgação de dívidas escondidas, obrigando o país a colmatar um inesperado défice orçamental.

O boletim de informação inclui um texto onde se afirma que a nomeação do novo ministro dos Negócios Estrangeiros foi percebida pela generalidade dos países ocidentais como um factor de aproximação à China, tento em atenção as ligações políticas e empresariais que Pacheco cultivou no país asiático enquanto ministro da Agricultura e governador da província de Cabo Delgado.

“A nomeação de JP é entendida no seio da Frelimo (o partido no poder em Moçambique desde a independência do país, em 1975) como afirmação nacional junto dos doadores, vincando a mensagem de que o governo é soberano nas suas decisões”, refere o AM Intelligence.

“Também assinalado é um realinhamento estratégico, perante a incompatibilidade das exigências dos doadores com as realidades políticas da Frelimo. A China tem vindo a afirmar-se entre os principais parceiros moçambicanos, sobretudo como agente de financiamento do Estado e de projectos específicos, contexto em que as ligações privilegiadas do novo MNE podem revelar-se providenciais”, adianta.

Já em Janeiro, Filipe Nyusi nomeou para nova embaixadora em Pequim uma das diplomatas moçambicanas mais experimentadas no continente asiático, Maria Gustava, que já passou por Indonésia, Timor-Leste, Tailândia, Singapura e Malásia.

O antecessor de Gustava, o ex-primeiro ministro Aires Ali, regressou a Maputo, para integrar o mais importante órgão de decisão da Frelimo, a Comissão Política.

O AM Intelligence informou ainda que as mudanças coincidem com negociações em curso com operadores e comerciantes chineses, incluindo as petrolíferas estatais, de contractos de venda de Gás Natural Liquefeito (GNL) do projecto do grupo norte-americano Anadarko Petroleum na bacia do Rovuma, de que depende a rentabilidade económica do mesmo.

O aumento do consumo de GNL tornou a China no terceiro maior importador mundial de gás, a seguir ao Japão e à Coreia do Sul.

A Economist Intelligence Unit informou recentemente que a estratégia das autoridades moçambicanas a médio prazo passa por “agilizar esforços para fortalecer os laços com os países asiáticos – particularmente a China (um grande credor de Moçambique) e os países importadores de carvão e gás (nomeadamente a Índia, o Japão e a Tailândia, que possuem empresas que são grandes investidores em Moçambique).” (Macauhub)

MACAUHUB FRENCH