Moçambique prepara nova estratégia para captar investimento da China

22 July 2019

Moçambique está a ultimar uma nova estratégia para captar investimento da China, virada para a agro-indústria e indústria ligeira, numa altura em que o país é também procurado por farmacêuticas e fabricantes de equipamentos médicos chineses.

Informação divulgada pelo International Trade Centre (ITC) informa que a estratégia será desenvolvida ao abrigo do programa “Partnership for Investment and Growth in Africa” (PIGA), e será executada pela Agência para Promoção de Investimentos e Exportações de Moçambique.

“Os participantes no processo de definição da estratégia incluem funcionários públicos especializados por sectores, o sector privado moçambicano e representantes do governo chinês e das comunidades empresariais”, refere o ITC.

A estratégia, a ficar concluída este Verão, irá “proporcionar a Moçambique um roteiro plurianual para visar novos investidores, fomentar os já existentes e trabalhar com as partes interessadas no clima de investimento para realizar reformas que estimulem a indústria em quatro sub-sectores: fabrico de vestuário, produção têxtil, processamento de caju e processamento de fruta.”

A China ocupou na última década a posição daqueles que eram tradicionalmente os principais países de origem de investidores estrangeiros – Portugal e África do Sul.

O investimento tem sido direccionado sobretudo para sectores não produtivos, como infra-estruturas de transporte e imobiliário.

O ITC escreveu que a estratégia chinesa de “Go Out” – incentivar as empresas do país a investir no estrangeiro – deverá “encorajar valores sem precedentes de investimento directo produtivo” chinês, tendo “o governo moçambicano decidido atrair uma parte significativa desse investimento.”

Ainda segundo o ITC, as empresas chinesas estão interessadas no mercado de medicamentos e equipamentos médicos em Moçambique e países próximos, como verificado numa série de apresentações realizadas em Junho pelo ITC e pela “China Chamber of Commerce for Import & Export of Medicines & Health Products.”

Jiang Xuejun, responsável da ITC para Ásia e Pacífico, disse que “o rápido crescimento do processo de industrialização do continente (africano) nos últimos anos, a melhoria significativa da infra-estrutura de transportes e o estabelecimento da Área de Livre Comércio Continental Africana – que cobre mais de 50 países africanos – representam, em conjunto, oportunidades históricas significativas para centros regionais de produção farmacêutica em África.”

O investimento de farmacêuticas chinesas “poderia ter um grande impacto em melhorias sociais e económicas no continente africano”, ao contribuir para tornar os medicamentos confiáveis e de qualidade mais baratos e acessíveis, adianta o ITC. (Macauhub)

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