Moçambique tem disponibilidade de fundos para diversificar a economia

7 May 2018

Moçambique atravessa uma conjuntura económica e financeira difícil, mas as empresas vão dispor nos próximos anos de fundos de instituições internacionais para projectos de diversificação económic, de acordo com o mais recente Africa Report sobre o país africano.

O relatório recentemente publicado, uma iniciativa conjunta do Africa Monitor Intelligence e Eupportunity, faz um levantamento dos fundos a disponibilizar nos próximos anos pela União Europeia, Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento e outros, concluindo que “está a ser desenvolvido um esforço significativo para promover a diversificação da economia moçambicana.”

União Europeia e Banco Mundial elegeram o desenvolvimento rural, nomeadamente florestal e o crescimento do sector agrícola como prioridades nas suas estratégias de ajuda ao desenvolvimento.

O investimento no capital humano foi também um meio escolhido para se atingirem os fins estabelecidos nas estratégias das organizações internacionais, que contemplam igualmente investimentos em infra-estruturas, nomeadamente dos transportes e da energia.

“No que respeita ao Banco Mundial, a nova estratégia para Moçambique deixa adivinhar a execução de alguns projectos em matéria de energia, transportes e educação, pelo que são de esperar oportunidades nestes sectores”, refere o relatório.

Quanto à estratégia do Banco Africano para Moçambique, adianta, espera-se que aposte em investir em infra-estruturas, quer nos sectores dos transportes, da energia ou da agricultura.

De acordo com as mais recentes previsões do Fundo Monetário Internacional, o crescimento económico em Moçambique deverá abrandar para 3% este ano e 2,5% no próximo, uma revisão em baixa face às anteriores previsões do FMI.

Contudo, a economia moçambicana apresenta perspectivas animadoras no médio prazo – um crescimento de 9,9% em 2023, ano em que é esperado o início da exploração de gás natural no país.

Em 2017, o sector mineiro (carvão e alumínio) liderou o crescimento económico no país, seguido pelo sector dos transportes e agrícola. Todos os restantes sectores (energético, construção, turismo, serviços financeiros, indústria) tiveram decréscimos.

O Africa Report sublinha que o bloqueio da ajuda externa pelos doadores ocidentais, que se arrasta há dois anos, e o incumprimento com os credores externos tem vindo a causar um agravamento da situação das finanças públicas de Moçambique.

Ao nível do sistema bancário, adianta, o principal problema é a falta de liquidez e parte importante do financiamento à economia (crédito empresarial) não tem retorno ou o retorno é tardio face às dificuldades das empresas em pagarem os juros no prazo estipulado.

Os bancos enfrentam problemas de incumprimento crescentes por empresas e particulares e de falta de meios libertos, com aumento do crédito malparado.

A queda do investimento estrangeiro resultou na escassez de divisas e no decréscimo das receitas das exportações, adianta o Africa Report Moçambique, o primeiro sobre este país, depois de um anterior igualmente inicial sobre Cabo Verde. (Macauhub)

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