“Modelo Angola” de financiamento da China para infra-estruturas em evolução para “Modelo Gana”

13 January 2020

O financiamento chinês em grande escala para a construção de infra-estruturas em troca de recursos naturais, que ficou conhecido por “Modelo Angola”, está agora a evoluir para o “Modelo Gana”, segundo o investigador Eric Olander, fundador do “China Africa Project.”

Eric Olander recorda em artigo recente que, no início dos anos 2000, a China estabeleceu com Angola um acordo no valor de dois mil milhões de dólares para o financiamento de infra-estruturas, garantido por petróleo, “na época considerado inovador tanto pela dimensão como pela sua capacidade de fazer convergir grandes quantidades de capital” para a construção de estradas, pontes, linhas de caminhos-de-ferro e outras infra-estruturas.

Contudo, adianta, Angola comprometeu-se a usar tanto do seu petróleo para pagar o acordo de infra-estruturas chinês “que não tinha o suficiente para vender no mercado aberto e gerar a liquidez necessária para estimular a economia”, além de que, quando o acordo inicial foi assinado, os preços do petróleo estavam relativamente altos, mas caíram depois da crise financeira de 2008, pelo “que os angolanos tiveram que vender muito mais petróleo para pagar a dívida chinesa.”

“No final de 2010, começou a surgir um consenso entre os economistas de desenvolvimento de que o chamado Modelo Angola pode não ser o cenário de benefício mútuo que todos esperavam”, afirma Olander.

Especulações recentes sobre o abandono pela China dos modelos de financiamento em troca de recursos, principalmente devido ao aumento dos empréstimos para países pobres em recursos, como Etiópia e Quénia, foram afastadas com um novo acordo entre a China e o Gana, que prevê a troca de parte das reservas de bauxite deste país por infra-estruturas.

Mas, segundo Kofi Gunu, investigador ganês da Universidade de Oxford, este acordo afasta-se do “Modelo Angola.”

“O governo, através de uma nova (sociedade) paraestatal criada, planeia vender a bauxite/ alumínio no mercado aberto. Este não é um acordo directo de bauxite por infra-estrutura, mas a receita da venda de bauxite será usada para pagar o empréstimo”, refere Gunu no artigo do China-Africa Project.

Outra evolução em relação ao modelo tradicional é que o acordo de bauxite no Gana não é do governo chinês, mas da Sinohydro, um grupo de construção estatal.

“O Gana é um de entre um número crescente de países africanos a empregar o método de troca, por isso será muito interessante observar se quaisquer consequências não intencionais, como foi o caso em Angola, surgem deste novo modelo de financiamento de infra-estruturas, potencialmente muito inovador”, refere Olander.

“Embora tecnicamente ainda faça parte da estrutura política chinesa mais ampla, há uma grande distinção entre uma empresa estatal e o próprio governo. Embora tenham uma obediência em comum, o Partido Comunista, têm um desempenho muito diferente um do outro”, adianta. (Macauhub)

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