Novo Presidente de Angola estreita relações económicas com países de língua portuguesa

Brasil e Cabo Verde serão dois dos primeiros países a visitar pelo novo Presidente de Angola, João Lourenço, num sinal claro da importância das relações estratégicas com ambos os países de língua portuguesa, em particular no plano económico.

O chefe de Estado angolano deverá iniciar a 3 de Maio a visita oficial ao Brasil, data que foi acordada no decurso de uma deslocação a Luanda do ministro brasileiro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, em que foi anunciada a concessão de um financiamento a Angola no montante de dois mil milhões de dólares.

Nas conversações, o ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, destacou igualmente o interesse numa cooperação empresarial, eficiente e capaz, que privilegie o estabelecimento de parcerias público-privadas e/ou a criação de empresas de capital misto angolano-brasileira, visando o desenvolvimento e a diversificação da economia nacional nos sectores da energia, agricultura, agro-indústria, indústria transformadora, saúde, educação, ensino superior, bem como o económico e financeiro.

João Lourenço já confirmou igualmente a participação, em Julho, na cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que terá lugar em Cabo Verde, de acordo com uma informação do ministro cabo-verdiano dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades, Luís Filipe Tavares, que também na semana passada realizou uma visita oficial a Angola.

O chefe da diplomacia cabo-verdiana acrescentou que Cabo Verde está a apontar a realização da cimeira para os dias 17 e 18 de Julho, devendo a visita de Estado realizar-se em data posterior.

A visita do chefe da diplomacia cabo-verdiana serviu também para preparar a viagem àquele país do primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, previsivelmente em Abril.

A deslocação do chefe do governo cabo-verdiano a Angola será a primeira que fará a um país africano.

O boletim Africa Monitor Intelligence informou que a próxima cimeira de chefes de Estado e de governo da CPLP é avaliada em meios diplomáticos próximos da organização como de previsível viragem em relação ao vazio de agenda, a par de problemas financeiros que tem caracterizado o funcionamento da organização nos últimos anos.

Na fase final da presidência brasileira da CPLP – a transmitir a Cabo Verde na próxima cimeira, a par da passagem do secretariado executivo de São Tomé e Príncipe para Portugal – o Brasil tem vindo a ganhar influência dentro da organização, adianta a mesma fonte.

Na semana passada, por iniciativa brasileira, realizou-se em Lisboa uma reunião de alto nível sobre agricultura familiar e desenvolvimento sustentável na CPLP, em articulação com a Organização da ONU Para a Alimentação e Agricultura (FAO), presidida pelo brasileiro José Graziano da Silva. (Macauhub)

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