ONU retira Angola e São Tomé e Príncipe do grupo de países menos desenvolvidos

A Organização das Nações Unidas (ONU) prevê retirar Angola e São Tomé e Príncipe do grupo dos países menos desenvolvidos (PMD), segundo o relatório Perspectivas da Situação Económica Mundial.

O documento informa que Angola deverá deixar de ser considerado PMD já em 2021, prevendo-se que “recupere de grandes desacelerações experimentadas nos últimos anos”, e São Tomé e Príncipe em 2024, juntamente com as Ilhas Salomão.

A ONU prevê para Angola uma continuação da recessão em 2020 (-1%), ao contrário do Governo angolano que inscreveu no Orçamento de Estado para este ano um crescimento de 1,8%; mas o próximo ano deverá ser de crescimento (1,5%), segundo o relatório.

“A recessão económica em Angola deve continuar (em 2020), devido à queda da produção de petróleo e às dificuldades em atrair investimentos estrangeiros. Prevê-se que o crescimento do PIB entre em território positivo apenas em 2021, embora em termos per capita continue a contrair-se pelo sétimo ano consecutivo”, refere a ONU.

O relatório alerta para a subida da dívida em muitos países africanos, devido ao aumento nas emissões externas de títulos soberanos, criando “preocupações com a sustentabilidade da dívida em alguns países, o que poderia ser exacerbado por choques externos ou domésticos, incluindo desvios na gestão orçamental”.

“Há um risco elevado de que condições económicas difíceis em alguns países da África Austral possam levar a recessões mais prolongadas em Angola, Namíbia e Zimbabué”, adianta.

A ONU prevê uma aceleração do crescimento na generalidade dos países de língua portuguesa – de 4,6% em 2020 para 5,2% em 2021 na Guiné Bissau e de 3,5% para 4,6% em São Tomé e Príncipe.

Cabo Verde deverá crescer 4,6% em 2020 e 2021, enquanto Moçambique deverá registar um impulso para 5,5% este ano e 6% no próximo, o nível mais elevado da África Austral, devido ao investimento na exploração de petróleo e gás.

Este investimento “continua a expandir-se, recuperando da descida que coincidiu com a queda nos preços do petróleo durante o período 2014-2016” e Moçambique está entre os países que “descobriram recentemente novos recursos de combustíveis fósseis e procuram explorar seu potencial de receita”.

Contudo, a ONU alerta para os riscos inerentes à gestão da dívida moçambicana, das mais elevadas do continente.

“A dívida pública elevada é um desafio em vários países africanos, limitando a capacidade de implementar políticas anti-cíclicas e socialmente inclusivas. Os níveis da dívida pública excedem 100% do PIB em países como Cabo Verde, Congo, Djibuti, Eritreia, Moçambique e Sudão”, refere o relatório. (Macauhub)

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