Oportunidades para Portugal na iniciativa chinesa “Uma Faixa e Uma Rota”

3 July 2017

A China está a alargar o âmbito geográfico da iniciativa “Uma Faixa e Uma Rota” e, de acordo com especialistas em questões estratégicas, Portugal tem condições para beneficiar da sua inclusão naquela iniciativa de carácter estratégico posta em marcha pelas autoridades chinesas.

António Costa Silva, presidente da Comissão Executiva da petrolífera Partex Oil and Gas, ao falar no final de Junho passado num seminário no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), afirmou que o aumento da inserção dos portos portugueses nas redes de tráfego marítimo internacional representa oportunidades importantes para o país.

Estas oportunidades, afirmou, incluem “o posicionamento estratégico dos portos, abertura a novos mercados, desenvolvimento de tecnologias de informação, integração na cadeia logística global, consolidação de um centro portuário português polivalente e que responda às exigências da procura, atracção de investimento para os portos”, além de melhores infra-estruturas.

O Presidente da China, Xi Jinping, anunciou recentemente em Pequim 540 mil milhões de yuans (78 200 milhões de dólares) para projectos que integrem a iniciativa Novas Rotas da Seda, um projecto de infra-estruturas com o qual a China pretende fortalecer o seu relacionamento comercial na Ásia, África e Europa.

O Presidente disse ainda que a China vai contribuir com 100 000 milhões de yuan (14 500 milhões de dólares) adicionais para o Fundo da Rota da Seda, criado em 2014 para financiar projectos de infra-estruturas e providenciar ajuda, nos próximos três anos, no valor de 60 000 milhões de yuan (8700 milhões de dólares) a países em desenvolvimento e a organizações internacionais que participem na iniciativa.

Dois bancos – de Desenvolvimento da China e de Exportações e Importações da China – vão também conceder empréstimos especiais até 380 000 milhões de yuan (55 000 milhões de dólares) para apoiar a iniciativa “Uma Faixa e uma Rota.”

Também na conferência do ISEG, “A Nova Rota da Seda Marítima e as Mudanças Geopolíticas que se Perspectivam”, em parceria com o Centro de Estudos África Ásia e América Latina, a investigadora Fernanda Ilhéu lembrou que Portugal é membro fundador do Banco Asiático de Investimento em Infra-estruturas (AIIB) e sublinhou recentes declarações de representantes diplomáticos chineses em Lisboa de que a posição de Portugal no centro da Rota Marítima do Atlântico poderá ter um papel imprescindível na realização de “Uma Faixa e Uma Rota” na Europa.

A investigadora recordou também declarações do Presidente da China de que a iniciativa “Uma Faixa e Uma Rota” trará importantes oportunidades aos países envolvidos, e que a sua zona geográfica de intervenção é algo que “está em aberto.”

No recente Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, que teve lugar em Junho na cidade da Praia (Cabo Verde), Kang Wen, responsável do Ministério do Comércio chinês para os assuntos de Taiwan, Hong Kong e Macau, afirmou que a iniciativa está a criar novas avenidas de cooperação, nomeadamente na capacidade produtiva. (Macauhub)

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