Península Ibérica pode ser “ponte” da estratégia da Faixa e Rota para África e América Latina

19 November 2018

A Península Ibérica poderá tornar-se “ponte” da estratégia da Faixa e Rota para África e América Latina, com um “ponto crítico” no porto português de Sines, a sul de Lisboa, segundo um novo estudo recentemente divulgado.

O segundo volume de “A Nova Rota da Seda torna-se na ponte terrestre mundial: Um futuro partilhado para a humanidade”, lançado em Julho deste ano pelo Instituto Schiller, pormenoriza 20 dos mais “prementes projectos de desenvolvimento na agenda das próximas décadas”, incluindo a extensão da Rota da Seda Marítima da Península Ibérica a África e às nações ibero-americanas e das Caraíbas.

O documento afirma que na cimeira da Rota e Seda, em Pequim em Maio de 2017, o presidente da China, Xi Jinping, sugeriu ao ex-primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, que a Espanha servisse como “uma espécie de ponte da iniciativa para a África e as nações ibero-americanas.”

“Não apenas Espanha, mas também Portugal, acolheram avidamente a proposta de Xi e, no último ano, têm estado a trabalhar activamente em propostas e projectos específicos para tornar essa perspectiva uma realidade”, refere o relatório do instituto liderado por Helga e Lyndon LaRouche.

“A Península Ibérica é, de facto, o interface geográfico natural da faixa económica da Rota da Seda, que agora se estende do Pacífico ao Atlântico através da massa terrestre da Eurásia, com a Rota Marítima da Seda, que vai estender-se em direcção ao Ocidente, através do Atlântico, para a Ibero-América, Caraíbas e Estados Unidos, bem como para sul em direcção a África”, adianta.

Dois “pontos críticos” para este interface serão o porto espanhol de Algeciras, o mais activo do Mar Mediterrâneo, e o porto português de Sines, virado para o Atlântico.

O novo estudo, que actualiza o primeiro datado de 2014, adianta alguns dos projectos previstos pelos dois países ibéricos tendo em vista uma “integração total” com a estratégia da Faixa e Rota, como sejam “corredores industriais de alta tecnologia” e novas linhas ferroviárias de alta velocidade.

Os autores adiantam que Portugal “finalmente ganhou agora a sua batalha de vários anos por um reconhecimento de que tem de estar também ligado aos corredores económicos da Nova Rota da Seda terrestre”.

O governo português tem vindo a manifestar disponibilidade para contribuir para a iniciativa chinesa através da ligação Atlântica da Faixa e Rota, via porto de Sines, potencialmente com uma extensão da linha ferroviária Chongqing-Madrid.

Outro projecto identificado, que se encontra na fase do estudo de viabilidade, é o da ligação da rede eléctrica de Portugal à de Marrocos e do norte de África, através de um cabo submarino.

Em Novembro do ano passado, um conjunto de empresas públicas portuguesas e chinesas (Infraestruturas de Portugal, China Tiesiju Civil Engineering Group/ China Railway Engineering Group) assinou um memorando de entendimento para uma parceria conjunta na construção de projectos rodoviários e ferroviários nos países africanos de língua portuguesa em África, com a possibilidade de inclusão também do Brasil. (Macauhub)

MACAUHUB FRENCH