Perspectivas melhoram para indústria de gás natural em Moçambique

5 March 2018

A assinatura de novos contratos de venda de gás natural moçambicano, nomeadamente à China, bem como a aprovação pelo governo do projecto da Área 1, liderado pelo grupo norte-americano Anadarko Petroleum, melhoraram nas últimas semanas as perspectivas desta indústria em Moçambique.

A Economist Intelligence Unit afirma no seu mais recente relatório sobre a economia moçambicana que, uma “maior confiança” no país, sobretudo a partir de 2020/22, relacionada com as perspectivas para o gás natural, suscita uma revisão em alta das previsões para o crescimento, investimento e exportações.

“Com a aprovação pelo governo [do projecto da Anadarko] ultrapassa-se um obstáculo importante no desenvolvimento do que pode ser um projeto economicamente transformador para Moçambique”, refere a EIU.

Nos primeiros 25 anos de produção de gás natural liquefeito (GNL), segundo cálculos do FMI, o governo deverá obter receitas de 30 mil milhões de dólares com este sector, que representará cerca de 50% do PIB do país, caso todos os projectos planeados entrem em operação.

A EIU salienta que estas previsões estão sujeitas a uma incerteza significativa, devido à volatilidade dos mercados de energia e ao grau de desconhecimento dos pormenores do projecto e antecipa que garantias contratuais de recuperação de custos dos investidores reduzam a contribuição fiscal nos primeiros anos de produção, independentemente do impacto sobre a economia em geral.

O objectivo, delineado pelo governo, de que a extracção de gás da Área 1 tenha início em 2022-23 é, para a EIU, “ambicioso”, sendo mais provável que tal aconteça apenas em 2025, dado que estão ainda em negociação contratos de venda e de financiamento.

“No entanto, um investimento desta escala é de grande importância para a economia de Moçambique, em dificuldades (…) o compromisso contínuo da Anadarko com o desenvolvimento do projecto é um voto de confiança que tranquilizará credores e investidores sobre as perspectivas do país a longo prazo”, refere.

A participação da Anadarko é de 26,5% no consórcio, que integra ainda a ENH Rovuma Área 1 (15%), Mitsui E&P Mozambique Area1 Ltd. (20%), ONGC Videsh Ltd. (10%), Beas Rovuma Energy Mozambique Limited (10%), BPRL Ventures Mozambique B.V. (10%) e a PTTEP Mozambique Area 1 Limited (8.5%).

O grupo Anadarko chegou em Fevereiro passado a acordo com a Electricité de France (EDF) para a venda de 1,2 milhões toneladas/ ano de GNL durante um período de 15 anos.

O boletim Africa Monitor Intelligence escreveu recentemente, citando fontes próximas deste projecto, que apenas 40% da capacidade de produção prevista no bloco Área 1 tem escoamento já assegurado.

“Sendo elevada a improbabilidade da assinatura da decisão final de investimento antes de assegurada a venda total da produção, reforça-se a possibilidade de a Anadarko não confirmar o seu investimento antes do final de 2018”, refere o AM Intelligence.

O grupo norte-americano anunciou na última semana de Fevereiro que está a negociar a venda de gás natural liquefeito com um conjunto de empresas da Índia, incluindo públicas e compradores independentes de GNL, casos da Petronet LNG, Oil and Natural Gas Corp., Hindustan Petroleum Corp. Ltd, Bharat Petroleum Corp. Ltd e Gujarat State Petroleum Corp, entre outras.

“A localização geográfica central e favorável de Moçambique significa que o país está bem posicionado para responder às necessidades dos clientes dos mercados da Ásia e do Pacífico, em particular, aproveitando a crescente procura por energia na China’, afirmou a Anadarko.  (Macauhub)

MACAUHUB FRENCH