Portos de Moçambique, Angola e São Tomé e Príncipe ligados à iniciativa chinesa Faixa e Rota

Os portos de Moçambique, Angola e São Tomé e Príncipe ficarão ligados à iniciativa chinesa “Faixa e Rota”, que terá um “nó central” na África Oriental, escreveu o investigador Paul Nantulya.

O investigador, em estudo para o Africa Centre for Strategic Studies, afirmou que a África Oriental, enquanto “nó central” na estratégia chinesa, ficará ligada por “portos projectados e/ou em funcionamento, oleodutos, caminhos-de-ferro e centrais eléctricas construídas e financiadas por empresas e credores chineses.”

Emblemático da importância da região é o já inaugurado caminho-de-ferro Mombaça-Nairobi, bem como a linha de caminho-de-ferro eléctrica de Adis Abeba a Djibuti, onde a China estabeleceu a sua primeira base naval no estrangeiro e tem participações num porto estratégico de águas profundas.

De Djibuti, referiu Nantulya, a Rota Marítima da Seda fará a ligação às “planeadas infra-estruturas portuárias chinesas no Sudão, Mauritânia, Senegal, Gana, Nigéria, Gâmbia, Guiné, São Tomé e Príncipe, Camarões, Angola e Namíbia.”

Outra rota liga Djibouti a Gwadar, Hambantota, Colombo, Myanmar e Hong Kong; “o arco final desse corredor liga Walvis Bay aos aglomerados portuários chineses em Moçambique, Tanzânia e Quénia antes de também se ligar a Gwadar.”

“Essas rotas comerciais revitalizadas ajudam a China a diversificar as suas cadeias de fornecimento e a criar uma Passagem Económica Azul para ligar a África a novos corredores marítimos no Paquistão, Bangladesh, Sri Lanka e Mianmar”, adiantou Nantulya.

O investigador escreveu ainda que a iniciativa Faixa e Rota “também aumenta o controlo de Pequim sobre cadeias de fornecimento globais críticas e sua capacidade de redireccionar o fluxo do comércio internacional”, sendo centrais a esses esforços” as iniciativas para abrir novas linhas marítimas de comunicação e expandir o acesso estratégico a portos da China em todo o mundo.”

Em 2017, empresas estatais chinesas – já activas em 40 portos da África, Ásia e Europa – anunciaram planos para comprar ou obter participações maioritárias em nove portos estrangeiros, todos localizados em regiões onde a China planeia desenvolver novas rotas marítimas, incluindo São Tomé e Príncipe, onde está previsto um novo porto de águas profundas.

Em África, os debates sobre a iniciativa Faixa e Rota têm-se concentrado em apoiar as necessidades de infra-estruturas do continente, que segundo o Banco Mundial exigem 170 mil milhões de dólares por ano, durante 10 anos.

Nantulya acrescentou que os parlamentos, agentes públicos e outros órgãos de supervisão dos países africanos devem acompanhar activamente as negociações com a China, para que os negociadores sejam mais receptivos às exigências locais.

A iniciativa, adiantou, pode ter benefícios para os países africanos, mas “muito dependerá do relacionamento entre a China e a África ser ou não colocado em pé de igualdade”, uma vez que a Faixa e Rota é “antes de tudo, um projecto geopolítico chinês destinado a promover a grande estratégia da China.”

“O desafio para a África é definir onde os seus interesses convergem com os da China, onde eles divergem, e como as áreas de convergência podem ser moldadas para promover as prioridades africanas de desenvolvimento”, concluiu o investigador. (Macauhub)

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