Reforço da capacidade de produção de electricidade em Angola melhora condições económicas

18 March 2019

O aumento da capacidade de produção de electricidade das barragens de Laúca e Capanda vem criar condições para a melhoria da actividade económica em Angola, segundo o angolano Banco de Fomento Angola (BFA).

Num dos seus mais recentes relatórios de síntese sobre a economia angolana, o BFA salienta que, pela primeira vez, as barragens de Laúca e Capanda atingiram em Fevereiro a capacidade plena simultânea, o que deve “reflectir-se numa maior segurança do fornecimento de eletricidade.”

Após o início da operação da quarta turbina de Laúca, em Dezembro de 2018, a capacidade de produção, refere o BFA, deve aumentar novamente neste ano, com a instalação das duas últimas turbinas. Também no sistema Norte, estão em instalação na central eléctrica do Soyo as últimas duas turbinas (de um total de seis), enquanto a quarta turbina deve começar a operar nos próximos dias.

“Será importante acompanhar os desenvolvimentos nos projectos de ligação entre o sistema eléctrico Norte, Centro e Sul, o que deverá permitir melhores condições para a actividade económica em todo o país”, refere o BFA.

Yamba Ambrósio, da Odebrecht Angola, afirmou recentemente que as duas últimas turbinas do aproveitamento hidroeléctrico de Laúca deverão entrar em funcionamento até final do ano, com uma capacidade de 333 megawatts de energia eléctrica cada.

Situada na província Malanje, a obra está executada em cerca de 90%, e será formalmente entregue ao governo de Angola após a instalação das turbinas, adiantou o responsável da subsidiária do grupo brasileiro Odebrecht, encarregue da obra.

Erguida sobre o médio Cuanza, Laúca é a maior barragem já construída em Angola, tendo sido projectada para uma capacidade de produção total de mais de 2000 megawatts, superior à da barragem moçambicana de Cahora Bassa.

Quando atingir a capacidade máxima, vai produzir acima do dobro do somatório das duas anteriores grandes barragens que a precederam: Cambambe e Capanda.

Apesar de ser actualmente a maior barragem em Angola, este estatuto deverá ser transferido para a barragem de Caculo Cabaça, também no rio Cuanza, projecto orçado em mais de 4,5 mil milhões de dólares, cuja primeira pedra foi lançada pelo ex-presidente José Eduardo dos Santos, em 2017.

A obra foi adjudicada pelo governo de Angola a um consórcio constituído pelas empresas China Gezhouba Group Corporation (CGGC) e Niara Holding.

O fornecimento de electricidade, irregular em diversas províncias do país, tem sido identificado como um dos principais obstáculos ao desenvolvimento económico angolano.

O director do Gabinete de Comunicação Institucional da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade, Pedro Bila, afirmou  em entrevista recente ao Jornal de Angola que a energia produzida actualmente é suficiente para cobrir toda a Luanda, pondo fim às “muitas restrições que eram verificadas desde há dez anos.”

Pedro Bila disse ainda que o programa de electrificação envolve as províncias de Luanda, Benguela, Huambo, Huíla e Cabinda e irá ser alargado à medida que houver recursos financeiros. (Macauhub)

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