Relacionamento entre a China e Portugal é uma “via rápida”, afirma embaixador Cai Run

11 February 2019

O 40.º aniversário, a 8 de Fevereiro, do estabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a República Popular da China, juntou em Lisboa protagonistas-chave do processo, num momento de relacionamento bilateral definido pelo embaixador da China como de “via rápida.”

O embaixador Cai Run, ao intervir na conferência “Quarenta anos de relações diplomáticas entre Portugal e a República Popular da China”, na Fundação Oriente, afirmou que a “via rápida” foi aberta após a bem-sucedida transferência da administração de Macau, com o estabelecimento em 2005 da Parceria Estratégica Global bilateral, que entrou “numa nova fase de desenvolvimento” e com a visita do presidente Xi Jinping a Portugal em 2018.

Esta, recordou, permitiu a assinatura de 17 acordos entre os dois países, nomeadamente um memorando de entendimento sobre a cooperação no quadro da chamada “Nova Rota da Seda”, iniciativa que terá em Abril o seu 2.º Fórum internacional, com a presença do presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa.

Sinal da pujança das relações bilaterais, disse Cai Run, são ainda projectos empresariais, como o recente acordo entre o Banco Comercial Português, cujo principal accionista é o grupo Fosun, e a Unionpay International, para emissão conjunta de cartões de crédito, o início da exportação de carne de porco portuguesa para a China e ainda a abertura do centro de serviços partilhados internacionais do grupo chinês COFCO (China National Cereals, Oils and Foodstuffs Corporation) em Matosinhos, que deverá empregar 160 pessoas numa primeira fase e 400 mais tarde.

Cai Run disse ainda que o investimento chinês em Portugal já ultrapassou 9000 milhões de euros e deverá continuar a crescer, enquanto as trocas comerciais subiram no ano passado mais de 7,0% para 6,01 mil milhões de dólares.

Também na abertura da conferência, o secretário de Estado português da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, sublinhou o interesse de Portugal na adesão à Nova Rota da Seda, bem como o carácter pioneiro, entre os países da União Europeia, do memorando assinado com a China durante a visita do presidente chinês.

Mais do que ligações marítimas e terrestres, a iniciativa chinesa visa “crescimento e bem-estar, criação de riqueza colectiva”, objectivo em que os dois parceiros estratégicos estão alinhados.

Enquanto a China em Portugal, além da energia, sector financeiro e segurador, “começa a estar presente nos serviços, indústria e numa área particular em que Portugal quer continuar a fomentar, da mobilidade eléctrica”, o governo português está a alargar a sua representação na China, preparando a abertura de um novo centro da agência de promoção do comércio e investimento AICEP em Cantão, depois de Pequim, Macau e Xangai.

Macau, afirmou, “continua e continuará a ser um dos elementos distintivos – ou o elemento distintivo – da relação bilateral e Portugal “participa de forma empenhada” no Fórum Macau, prevendo ter este ano “pela primeira vez um delegado nacional exclusivamente dedicado” à organização. (Macauhub)

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