A sucursal do Banco da China em Angola viu os seus activos e capitais próprios recuarem em 2017, o seu primeiro ano de actividade no país enquanto banco comercial, segundo o mais recente relatório da consultora Deloitte sobre a banca angolana.
O relatório indica que o Banco da China Limitada – Sucursal em Luanda (BCL) registou, entre os 28 bancos incluídos no estudo, o pior produto bancário, negativo em 100 milhões de kwanzas (322,5 mil dólares), depois de em 2016 ter registado um produto positivo de 38 milhões de kwanzas (122,6 mil dólares).
Anteriormente escritório de representação, criado em 2012, o Banco da China – Sucursal em Luanda foi formalmente apresentado em Junho de 2017, numa cerimónia com a presença de Chen Siqing, presidente do conselho de administração do grupo bancário chinês.
O BCL pretende centrar a sua actividade em negócios para empresas, promovendo produtos como depósitos, empréstimos, transferências e remessas, compensação internacional, financiamento de comércio, garantias e financiamento transfronteiriço entre a China e Angola.
Os resultados líquidos do banco de capital chinês agravaram-se significativamente, de 88 milhões de kwanzas (283,8 mil dólares) para 1022 milhões de kwanzas (3,3 milhões de dólares) em 2017, tornando-se um dos seis bancos com prejuízos no país.
Em 2017, os activos do BCL recuaram 10% para 8887 milhões de kwanzas (28,7 milhões de dólares), segundo os números apresentados pela Deloitte.
O banco aparece em último lugar tanto no crédito a clientes, como nos depósitos.
O BCL foi um dos bancos a adoptar em 2017 as normas de contabilidade IAS/IFRS, tal como emitidas pelo International Accounting Standards Board (IASB), em cumprimento das recomendações das instituições financeiras internacionais (nomeadamente o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial), para uma maior comparabilidade e transparência das demonstrações.
Os últimos anos têm sido de dificuldades para a banca angolana, com o rácio de crédito malparado face ao crédito concedido a mais do que duplicar desde 2015 para cerca de 26% em Junho passado, segundo afirmou o governador do Banco Nacional de Angola (BNA) na apresentação do estudo da Deloitte.
O governador disse ainda que o aumento das dificuldades de reembolso dos empréstimos por parte das famílias e empresas é mais sentida nos sectores do comércio, construção e actividade imobiliária, reflexo do ritmo de crescimento da economia nos anos mais recentes.
“Daí que o aumento da rendibilidade da banca comercial derive, essencialmente, do acréscimo de resultados cambiais e de proveitos obtidos em títulos e valores mobiliários, divergindo da concessão de crédito à economia”, situação que configura “uma preocupação acrescida” partilhada com a Associação Angolana de Bancos.
José de Lima Massano deixou uma nota positiva, dizendo que as previsões do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional do Banco Nacional de Angola apontam para a apontam para melhoria dos índices de estabilidade do sistema bancário no presente semestre, que contrasta com a degradação que se verificava desde 2015. (Macauhub)





