Transportes aéreos e marítimos de Cabo Verde em processo de transformação

Com o processo de privatização da companhia aérea TACV finalmente lançado, o governo de Cabo Verde prepara-se para fazer importantes alterações também nos transportes marítimos, num processo seguido com interesse pela China.

O actual governo cabo-verdiano anulou recentemente os concursos internacionais para a entrega em regime de sub-concessão dos estaleiros navais da Cabnave (São Vicente), atribuída pelo governo anterior ao grupo português ETE, bem como dos principais portos do país, de que tinha sido parcialmente vencedor o grupo francês Bolloré.

O boletim Africa Monitor Intelligence escreveu que para essas decisões contribuíram, além de pressões por parte de empresários cabo-verdianos, manifestações de interesse estrangeiro, nomeadamente da China, cujo governo assinou um acordo com Cabo Verde para a construção de uma Zona Económica Especial (ZEE) na ilha de São Vicente.

Essa ZEE integraria os estaleiros navais da Cabnave a fim de garantir, além do fornecimento de serviços de logística, a reparação e manutenção das suas embarcações de pesca que operam na costa ocidental africana, adiantou a mesma fonte.

O concurso para a sub-concessão dos portos da Praia e do Mindelo, ganho pela multinacional francesa Bolloré, era também alvo de contestação por parte dos empresários nacionais.

Depois de ter constituído uma parceria com a companhia aérea espanhola Binter, para operar os voos domésticos da TACV, que já está em operação, na segunda semana de Agosto o governo avançou igualmente com o processo de privatização da TACV Internacional, assinando com a Loftleidir Icelandic, que pertence ao Icelandair Group, um contrato de gestão da operação internacional.

A companhia aérea islandesa vai aplicar um novo modelo de negócios na TACV Internacional, prevendo a ampliação das rotas e consolidação de Cabo Verde como uma plataforma de operações aéreas no Atlântico médio.

O aumento da frota e abertura de novas rotas deverão aumentar o interesse na empresa, tendo em vista a futura abertura do capital, com entrada da própria Icelandair.

O contrato de gestão terá a duração de um ano, renovável por igual período, caso a privatização não tenha lugar antes.

Historicamente deficitária, a TACV tem vindo a sobreviver apenas graças a injecções de capital por parte dos governos cabo-verdianos e a sua privatização era uma exigência dos parceiros internacionais.

O governo cabo-verdiano pretende ainda encaixar cerca de 100 milhões de euros com a privatização de 23 empresas públicas e/ou participadas dos Estado.

O lote a privatizar ou reestruturar inclui a Electra – Empresa de Electricidade e Água, Núcleo Operacional para a Sociedade de Informação, CV Telecom, Estaleiros Navais de Cabo Verde (Cabnave), Portos de Cabo Verde (Enapor), Aeroportos e Segurança Aérea, Cabo Verde Fast Ferry, CV Handling, Imobiliária, Fundiária e Habitat (IFH) e Empresa Nacional de Produtos Farmacêuticos (Emprofac).

Fazem ainda parte da lista a Água e Energia da Boavista, Empresa Nacional de Combustíveis e Lubrificantes (Enacol), Correios de Cabo Verde, Atlantic Tuna, Sociedade Cabo-verdiana de Sabões, Sociedade Nacional de Engenharia Rural e Florestas (Sonerf), Bolsa de Valores, sociedade de capital de risco A Promtora, Escola de Hotelaria e Turismo e a Sociedade de Desenvolvimento Turístico das Ilhas da Boa Vista e Maio. (Macauhub)

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