Trocas comerciais entre o Brasil e países africanos em recuperação

4 December 2017

As trocas comerciais do Brasil com os países africanos, que recuaram nos últimos anos depois de atingirem um máximo histórico em 2008, estão novamente a recuperar, num novo contexto diplomático, de acordo com dados do Ministério brasileiro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Os dados oficiais indicam que as exportações brasileiras para os países africanos totalizaram até Outubro 7,94 mil milhões de dólares, mais 26,16% do que no mesmo período de 2017.

As importações brasileiras de países africanos cresceram 16,01% nos 10 primeiros meses do ano, para 4,739 mil milhões de dólares, tendo o saldo sido favorável ao Brasil em 3,201 mil milhões de dólares.

Em 2008, a balança comercial do Brasil com os países africanos chegou a superar 25,931 mil milhões de dólares, mais do dobro do valor contabilizado em 2016.

Os dados oficiais brasileiros revelam que o Egipto continua a ser o principal destino de exportações para o continente africano, à frente da Nigéria, enquanto nas importações a principal origem é a Argélia, seguida da Nigéria.

O professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Paulo Fagundes Visentini, disse recentemente ao boletim de informação Africa Monitor que o elemento mais penalizador das relações com o continente africano foi a crise económica no Brasil, a partir de 2014.

Visentini adiantou que o governo do Presidente Michel Temer, cuja política externa centra-se mais nos negócios do que anteriores governos de Dilma Rousseff ou Luiz Inácio Lula da Silva, pretende aprofundar as relações económicas com a África, para satisfazer os empresários, os seus grandes apoiantes.

Nas visitas ao continente, em Maio (África do Sul, Botsuana, Malaui, Moçambique e Namíbia) e Outubro de 2017 (Marrocos, Gana, Nigéria, Botsuana, Costa do Marfim e África do Sul), o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, foi acompanhado por comitivas empresariais, organizadas pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Alguns dos grandes grupos empresariais brasileiros têm vindo a desinvestir ou racionalizar os seus investimentos no continente africano, incluindo nos países de língua portuguesa, como a Petrobrás, Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez.

Entretanto, alguns projectos de grande dimensão em África, com capital brasileiro, continuam a avançar, caso do Corredor Logístico de Nacala (CLN), que envolve o grupo mineiro Vale.

O projecto, que tem como parceiro a japonesa Mitsui & Co., fechou na semana passada um acordo de financiamento no valor de 2,73 mil milhões de dólares, envolvendo um consórcio de bancos japoneses e internacionais. (Macauhub)

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