São Tomé e Príncipe espera investimentos da China após restabelecimento de relações diplomáticas

O restabelecimento de relações diplomáticas entre a República Popular da China e São Tomé e Príncipe, após uma interrupção de quase duas décadas, culmina um movimento de aproximação que se acentuou desde 2014 e abre perspectivas de importantes investimentos chineses no arquipélago.

A 26 de Dezembro, o ministro dos Negócios Estrangeiros são-tomense, Urbino Botelho, subscreveu com o seu homólogo chinês uma declaração anunciando “restabelecer as relações diplomáticas entre os dois países e envidar todos os esforços no sentido de instalar a breve trecho representações diplomáticas ao nível de embaixador, nas respectivas capitais.”

O primeiro-ministro Patrice Trovoada havia anunciado cerca de uma semana antes a ruptura das relações com Taiwan, que vigoravam desde 1997 e faziam com que São Tomé e Príncipe fosse o único país de língua portuguesa a não ter relações com a China e, como tal, a não integrar o Fórum de Macau.

A folha de informação Africa Monitor Intelligence (AFI) informou que a China vinha a manifestar às autoridades de São Tomé e Príncipe disponibilidade para financiar projectos e/ou acções além do porto de águas profundas na ilha de São Tomé, anunciado em 2015, a cargo da China Harbour Engineering Company (CHEC) e orçado em 800 milhões de dólares.

Entre outros projectos inclui-se a construção, numa área de 20 hectares contígua à capital, de um centro administrativo, comercial, residencial, do qual faria parte uma nova unidade hospitalar, escolas e outros serviços públicos.

Também sinalizada, de acordo com a AFI, foi a disponibilidade do Banco de Exportações e Importações da China de financiar empresas chinesas interessadas em investir no arquipélago, identificado como propulsor do envolvimento empresarial.

Ainda na fase de abordagem iniciada em 2014, foi admitido um levantamento parcial da interdição da participação de São Tomé e Príncipe no Fórum de Macau, além da abertura na capital são-tomense de uma estrutura equiparada a escritório de representação de interesses.

Momento marcante na aproximação foi, em Junho de 2014, a visita a Pequim de Manuel Pinto da Costa, que mesmo apesar do seu carácter não oficial, permitiu revelar abertura da parte da China apesar das relações diplomáticas são-tomenses com Taiwan.

A visita incluiu as cidades de Xangai e Pequim, onde teve contactos com as próprias autoridades oficiais e com entidades do Estado preponderantes na cooperação da China com África, incluindo o Banco de Exportações e Importações da China.

Outros projectos chineses entretanto considerados incluem a implantação de um grande armazém de distribuição de mercadorias chinesas e a instalação na ilha de São Tomé de um centro de difusão regional do sinal de canais da televisão chinesa.

Em 2015, a consultora Mckenzie elaborou um plano de recuperação da economia são-tomense, para o qual considerou determinantes investimentos em sectores como o

turismo e a agricultura, esta concentrada em produtos muito procurados no passado pela sua elevada qualidade, como cacau e café.

Para a mudança de política por parte do governo de Patrice Trovoada terá sido também importante a situação financeira do arquipélago, dependente de contribuições, sobretudo de Taiwan e Angola, que têm estado em trajectória descendente.

A AFI escreveu que Taiwan ignorou pedidos de ajuda do governo são-tomense, tendo inclusivamente reduzido o montante das contribuições para o orçamento do Estado e outros apoios.

Ao comentar a decisão tomada em Conselho de Ministros de cortar relações com Taiwan, o primeiro-ministro Patrice Trovoada aludiu à crescente importância da China na cena mundial, que traz vantagens em parcerias.

“Temos de tomar em consideração os pesos específicos de grandes potências mundiais, dos grandes centros de decisão, para poder posicionar uma ilha pequena, isolada e sem grandes recursos. Uma coisa são os sentimentos e outra coisa são os interesses do país e do Estado. E o Estado funciona em função dos seus interesses”, afirmou Trovoada. (Macauhub)

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