Apoio da China à diversificação da economia de Angola na agenda da comissão mista

20 June 2016

A diversificação da economia de Angola, grande prioridade para as autoridades do país, terá o apoio da China e alguns instrumentos de apoio serão analisados “muito em breve” na comissão mista entre os dois países.

Numa altura em que o país se debate com dificuldades resultantes da quebra, a partir de 2014, do preço do petróleo, que tornaram mais urgente o reforço do peso da economia não-petrolífera, Angola e China passaram em revista a 13 de Junho a cooperação económica e comercial bilateral, numa reunião entre delegações multissectoriais, em Pequim, de acordo com a agência Angop.

A reunião serviu sobretudo para preparar a segunda sessão da Comissão para a Cooperação Económica e Comercial, a par do Fórum Empresarial bilateral, que terá lugar “muito em breve” na capital angolana, de acordo com a secretária de Estado angolana dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Ângela Bragança, que reiterou que a China é para Angola um dos parceiros estratégicos.

A preparação envolveu a apresentação e discussão de vários documentos e instrumentos legais, que estarão em cima da mesa em Luanda para discussão mais aprofundada, numa reunião que servirá de acompanhamento à execução dos planos para reforço da cooperação China-África, anunciados na Cimeira de Joanesburgo de 2015.

Estes incluem um reforço da cooperação financeira e outras medidas de estreitamento das relações económicas e comerciais, sendo um dos principais interesses da parte africana investimentos produtivos, que sejam geradores de receita, bem como transferência de tecnologia chinesa.

Entre os instrumentos específicos considerados no caso angolano estão, de acordo com a Angop, a promoção e protecção recíproca de investimentos, introdução de facilidades na concessão de vistos e execução de acordos a nível laboral e cultural.

A China é, actualmente, o maior parceiro comercial de Angola, tanto ao nível de importações como de exportações e Angola é a maior fonte de importações petrolíferas chinesas em África.

A investigadora de relações sino-angolanas Lucy Corkin estimou em 14,5 mil milhões de dólares os empréstimos concedidos pela China a Angola, mas outras estimativas apontam para valores mais próximos de 20 mil milhões de dólares, em grande parte garantidos por petróleo.

A Economist Intelligence Unit afirmou que, no actual contexto, o governo angolano irá continuar a procurar empréstimos adicionais da China, para permitir “manter programas de investimento muito necessários – para construir estradas e centrais eléctricas, por exemplo”.

“A China vai manter-se um parceiro altamente importante – até ao ponto em que um abrandamento substancial no crescimento chinês representa riscos negativos sérios”, refere a EIU no seu mais recente relatório sobre Angola.

O crédito chinês, considera a EIU, será importante mesmo num cenário de adesão de Angola a um programa do FMI, que está a ser negociado desde Abril, que pode representar um apoio de até 4,5 mil milhões de dólares e reforço da confiança externa na economia do país.

Aliás, a ronda de conversações com o FMI concluída na semana passada mostrou, de acordo com o Africa Monitor Intelligence, que “as autoridades estão agora inclinadas a protelar ou evitar um entendimento formal”, tendo em vista a obtenção de uma ajuda financeira do Fundo.

A delegação angolana às conversações não mostrou pressa na obtenção do apoio financeiro, que implica a adopção de políticas negociadas com o FMI, que podem incluir a introdução de novos impostos, despedimentos na Função Pública e alterações na gestão das receitas petrolíferas.

Existem novas perspectivas de subida do preço do petróleo, já reflectidas no mercado de futuros e, de acordo com o Africa Monitor Intelligence, as reticências angolanas estão a ser entendidas como um condicionar o caminho a seguir a uma afirmação mais nítida de evolução das referidas tendências.

Depois de terem tocado em mínimos de 30 dólares no início do ano, os preços do barril de petróleo estão agora acima de 50 dólares, ainda assim muito longe dos 90/100 dólares registados antes de 2014, valores que são considerados unanimemente considerados afastados nas várias previsões de referência. (Macauhub/AO/CN)

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