África Ocidental procura financiamento da China para projectos de transportes

A falta de vias de comunicação é encarada como um dos maiores entraves ao desenvolvimento das relações económicas inter-africanas e, para a Comunidade Económica de Desenvolvimento da África Ocidental (CEDEAO), o financiamento da China pode ser a solução.

Os principais projectos conjuntos dos países da África Ocidental nas áreas de transportes, além de energia, agricultura e saúde, foram passados em revista durante uma reunião no final de Agosto na Comissão da CEDEAO em Abuja, Nigéria, entre a presidência da organização regional e uma delegação do Banco de Desenvolvimento da China (BDC).

Entre os projectos apontados pelo presidente da CEDEAO, Marcel de Souza, está a segunda fase da auto-estrada regional, um projecto de 25 mil milhões de dólares ligando Abidjan, na Costa do Marfim, a Dacar, no Senegal, e que prevê também passagem em Bissau, com um total de 3260 quilómetros.

Segundo informação da CEDEAO, de Souza pediu também apoio financeiro para os estudos de viabilidade, em curso, para a estrada Lagos-Abidjan, um projecto de 8000 milhões de dólares para ligar cinco das cidades costeiras da região, ao longo de mais de 1000 quilómetros.

O presidente da organização regional chamou a atenção para o facto de apenas 12% do comércio na África Ocidental ser entre países vizinhos, resultado da falta de ligações rodoviárias, ferroviárias, aéreas e marítimas entre eles.

De Souza pediu ainda apoio do BDC para as iniciativas no sector da energia e da produção de arroz, base da alimentação dos países da região, mas em cuja produção estes são deficitários.

Zeng Liqing, responsável da delegação do BDC, manifestou interesse em aprofundar a cooperação com os países da região, sublinhando que os esforços do banco já permitiram financiamentos de mais de 46 mil milhões de dólares a 43 países africanos para desenvolvimento de infra-estruturas, exploração mineira e energia, entre outros sectores.

Os créditos especiais do banco para pequenas e médias empresas estão a ser usados em 47 países africanos, alguns deles membros da CEDEAO, adiantou o responsável do BDC.

Membro da CEDEAO, a Guiné-Bissau é dos países que apresenta actualmente previsões de crescimento económico mais elevadas – 4,8% em 2016 e 5% em 2017 – bem como amplas oportunidades, uma vez que, além de necessitar de infra-estruturas e de dispor de recursos por explorar (caso da bauxite), está inserido no mercado regional da África Ocidental.

A agricultura é a principal fonte de rendimento do país, em particular a castanha de caju, sendo também uma das oportunidades de investimento identificadas.

O boletim de informação Africa Monitor Intelligence informou ter um recente estudo técnico chinês confirmado a aptidão do país, em particular no que concerne aos solos, para a produção em larga escala de arroz, produto que o país actualmente importa para abastecer o mercado interno (cerca de 200 mil toneladas/ano).

O estudo, segundo a mesma fonte, aponta também a necessidade prévia de uma recuperação das planícies alagadiças (bolanhas) aptas para a orizicultura, a maior parte sem uso nos últimos anos ou votada ao abandono.

O embaixador da China em Bissau, Wang Hua, tem vindo a salientar as excelentes condições climatéricas e de solos que a Guiné-Bissau tem para produzir e abastecer a sua população e reafirmou o apoio da China para a concretização desse objectivo.

Em Abril, a Guiné-Bissau recebeu pela primeira vez o “Encontro dos Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e o Países de Língua Portuguesa”, à margem do qual foi anunciado que a China Machinarie Engeneering Corporation (CMEC) vai construir, entre outras infra-estruturas, o novo Aeroporto Internacional de Bissau, alargar a antiga aerogare, construir o porto de pesca de Pikil, no nordeste da Guiné-Bissau, o porto de águas profundas em Buba, no sul, estradas, pontes e ainda habitação social.

A Guiné-Bissau foi este ano tema de um seminário organizado pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), conjuntamente com o Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau).

A CEDEAO integra também Cabo Verde, onde foi concluída em Abril a renovação do Palácio Presidencial, na cidade da Praia, uma obra financiada integralmente pela China, tal como a dos edifícios do governo, da Assembleia da República, o Estádio Nacional e outras infra-estruturas emblemáticas como a barragem do Poilão.

Na ocasião, o presidente Jorge Carlos Fonseca falou à revista Macao para sublinhar que as relações de Cabo Verde com a China são “privilegiadas desde a independência”, com tendência para se tornarem “cada vez mais importantes”. (Macauhub/CN/CV/GW)

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